Daniella Marques diz que “nem os bancos querem fazer o L” em 2026 e alerta para risco de colapso do crédito

Daniella Marques, secretária da Economia, é cotada para presidência da Caixa

Coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro defende mudança no modelo econômico e revisão do arcabouço fiscal durante conferência do Santander

Daniella Marques (Republicanos), coordenadora do núcleo de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (18/8) que, desta vez, nem os bancos querem “fazer o L” — expressão associada a um gesto de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada durante participação em uma conferência do banco Santander, em São Paulo.

Alerta sobre risco de colapso do crédito

Segundo Daniella, existe risco de colapso do crédito no país caso não haja uma mudança no modelo econômico ainda dentro do atual ciclo eleitoral. Ela afirmou que, sem uma inflexão na curva de endividamento, as famílias brasileiras estarão em situação dramática já no próximo ano. A economista disse defender essa visão tanto no mercado financeiro, referência à Faria Lima, quanto junto à população, resumindo o cenário na frase que deu origem à repercussão: a avaliação de que os próprios bancos reconhecem hoje ter praticamente certeza de que repetir o apoio de outros ciclos ao governo daria errado.

Defesa de mudanças na política fiscal

Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella defendeu a necessidade de alterar a trajetória da dívida em relação ao PIB e de rever o arcabouço fiscal — o conjunto de regras que rege as despesas públicas —, propondo a criação de um modelo mais sólido e duradouro, argumentando não ser sustentável mudar a regra fiscal a cada ano.

Relação com a campanha de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro já declarou publicamente, em diversas ocasiões, que gostaria de ter Daniella Marques como sua vice na chapa presidencial. O Republicanos, entretanto, optou por se manter neutro nas eleições de 2026, o que inviabilizou essa possibilidade. Diante do impasse, e após uma série de sinalizações voltadas ao eleitorado feminino, o candidato escolheu o deputado Alfredo Gaspar (PL) como companheiro de chapa.

Propostas econômicas do plano de governo

Sob a coordenação de Daniella, a área econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro tem como eixo central o “enxugamento” da máquina pública. Entre os principais pontos da proposta estão:

  • reforma tributária: revisão da implementação do novo sistema para reduzir o IVA e a carga sobre produção e consumo;
  • gastos públicos: reformulação das regras fiscais com o objetivo de estabilizar e, posteriormente, reduzir a relação dívida/PIB;
  • ministérios: corte de ao menos dez pastas, além de redução de cargos comissionados e despesas administrativas;
  • reforma administrativa: continuidade da revisão das carreiras e do funcionamento do Estado;
  • conta de luz: redução gradual da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e de encargos, com manutenção da tarifa social;
  • apostas on-line: proibição do uso de recursos de programas sociais em apostas e promoção de campanhas contra o endividamento ligado a jogos.

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