Cuba admite que diesel e gasolina acabaram: “Não temos reservas”

Cuba teme aumento da inflação após alta de 500% nos preços do combustível -  ISTOÉ DINHEIRO

Governo cubano reconhece que o país chegou ao ponto zero de combustível, com menos de 400 toneladas diárias disponíveis para uma demanda de 600; blecautes superam 20 horas por dia em algumas regiões, festa do 1º de Maio foi cancelada e ONU alerta para risco de colapso humanitário


Cuba está afundando em uma crise que já a obriga a tomar medidas extremas de racionamento de energia, afetando o turismo e ameaçando paralisar quase completamente a economia, com poucas alternativas à vista. A falta de apoio internacional e os problemas internos convergem para alongar um túnel cada vez mais escuro.


O reconhecimento oficial: menos combustível do que o necessário

Desde o início de abril, a ilha está sofrendo uma escassez que o governo estima que continuará até o final de maio. Os especialistas estimam que a ilha consome uma média de 600 toneladas de combustível por dia, mas atualmente dispõe de apenas 400 para sustentar todas as atividades da ilha.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel informou que a escassez de gasolina no país se deve ao fato de que as nações com compromissos para fornecer o combustível estão numa situação energética complicada. O chefe de Estado explicou que por esse motivo não tem sido possível cumprir os acordos de entrega para um consumo diário nacional entre 500 e 600 toneladas de gasolina.


Os blecautes: até 20 horas sem energia por dia

Os cubanos sofrem cortes de energia de mais de vinte horas por dia devido ao rígido racionamento imposto pelo governo e precisam lidar também com uma rede elétrica precária e perigosa que, mesmo nas poucas horas diárias de fornecimento, não funciona adequadamente.

Sem o apoio da Venezuela e cercada pelos Estados Unidos, Cuba está afundando em uma crise que já a obriga a tomar medidas extremas de racionamento de energia, afetando o turismo e ameaçando paralisar quase completamente a economia.


O alerta da ONU: risco de colapso humanitário

O coordenador da ONU na ilha caribenha, Francisco Pichón, explicou que a iniciativa visa manter ativos os serviços essenciais. “Se a situação atual continuar e as reservas de combustível do país se esgotarem, tememos uma rápida deterioração e a perda de vidas humanas”, declarou.


O 1º de Maio cancelado — e a queima de lixo nas ruas

A escassez atrapalhou o cotidiano da população, com grandes filas em postos de combustíveis de Havana, problemas no transporte público e no abastecimento de eletricidade, dependente do uso de combustível. Até mesmo a tradicional festa do 1º de Maio foi cancelada.

Moradores de diversas áreas de Havana, capital de Cuba, já acostumados com o cheiro de lixo devido à falta de coleta, agora se acostumam com uma sensação ainda mais desagradável. Trata-se da fumaça poluente que queima as gargantas, gerada pela queima de montes de resíduos na capital. Essa é uma tentativa desesperada de solucionar o que é apenas um dos sintomas da crise crescente na ilha.


O papel da Rússia e o isolamento diplomático

A 30 de março, um petroleiro russo que transportava 100.000 toneladas de petróleo bruto chegou a Havana. A carga russa poderia ser convertida em 250.000 barris de gasóleo, o que poderia satisfazer a procura energética cubana durante 12 dias e meio.

Outros países estão virando as costas para Cuba: a Guatemala encerrou seu acordo para receber médicos cubanos — uma fonte de divisas para Havana —, e a Nicarágua, aliada de longa data do regime de Castro, bloqueou a entrada de cubanos sem visto no país, antecipando uma possível onda migratória.

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