Oposição larga em vantagem na disputa pelo Senado e mira maioria para viabilizar impeachment de ministros do STF

Parlamentares bolsonaristas anunciam campanha pelo impeachment de Moraes

Com 54 das 81 cadeiras em jogo, direita parte com candidatos competitivos na maioria dos estados e precisa de apenas 27 vagas para controlar a Casa Alta; 66% dos brasileiros querem senadores comprometidos com processos contra o Supremo


A disputa pelas 54 vagas em jogo no Senado em 2026 está equilibrada na maioria dos estados, mas a oposição larga em vantagem, segundo levantamento do JOTA com base nas pesquisas eleitorais disponíveis.

Das 27 vagas que não serão renovadas neste ciclo — disputadas em 2022 —, 14 são ocupadas por senadores da direita. Para obter a maioria de 41 cadeiras no Senado, a oposição precisará conquistar 27 das 54 vagas em disputa. Dessas 27, 11 já são de senadores de direita que tentam a reeleição com grandes chances de sucesso, o que significa que as 16 vagas restantes serão as disputas mais decisivas da eleição.


A estratégia da direita: STF como eixo central da campanha

A estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PL, iniciada ainda em 2024, de priorizar esforços para conquistar o maior número de cadeiras no Senado avançou junto com o calendário eleitoral. A articulação com governadores e outras legendas para montar duplas de candidatos voltadas a pautas da direita, tendo o impeachment de ministros do STF à frente, acelerou nas últimas semanas.

“Em 2026, a tendência é de uma disputa muito forte por vagas no Senado com candidatos que vão se apresentar como contraponto direto ao STF, defendendo investigações, limites institucionais e até processos contra ministros”, afirmou o cientista político Elias Tavares.

O cientista político Elton Gomes, professor da UFPI, enxerga na prioridade do PL ao Senado a busca pelo papel revisor da Casa. “O Senado é o foro para julgar ministros do STF, cujo ativismo está no cálculo de poder de todos”, resume. Segundo ele, os conservadores miram a maioria no Senado também para sustentar eventual governo de Flávio Bolsonaro, garantindo uma trincheira de resistência a decisões do Judiciário vistas como abusivas. “Chapas majoritárias já são negociadas como reação à aliança STF-PT”, diz.


O número que assusta o Planalto: 66% querem senadores pró-impeachment do STF

Um dado que anima a oposição é o de que o papel institucional do Senado passou a influenciar o eleitor. Pesquisa do instituto Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros querem eleger senadores comprometidos a aprovar pedidos de impeachment de ministros do STF. Apenas 22% discordam. O levantamento foi realizado de 6 a 9 de março, com 2.004 entrevistados presencialmente em todo o país.

De acordo com o levantamento, 54% dos eleitores que se declaram lulistas e 52% que se dizem da esquerda não lulista consideram importante votar em senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF — dado que expõe como o tema transcendeu as fronteiras políticas habituais. A pesquisa apontou ainda que 72% dos brasileiros avaliam que o STF tem “poder demais”, enquanto 59% consideram que a Corte atua como aliada do governo federal.


Estado por estado: o mapa da oposição no Senado

Norte: No Amazonas, Capitão Alberto Neto (PL) e Plínio Valério (PSDB) disputam espaço da direita, enquanto no Acre Gladson Cameli (PP) e Márcio Bittar (PL) aparecem como forças consolidadas. Em Rondônia, Marcos Rogério (PL) lidera o campo conservador. Delegado Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos) se estruturam no Pará e Eduardo Gomes (PL), no Tocantins. Em Roraima, a aposta é o governador Antonio Denarium, que disputará uma vaga no Senado pelo Republicanos.

Sudeste: Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo), com a bandeira da segurança pública, desafiam as principais apostas do presidente Lula: as ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). No Rio de Janeiro, a inelegibilidade de Cláudio Castro (PL) introduz incerteza e abre espaço para rearranjos. Já em Minas Gerais, a disputa entre Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) reflete divisões internas do PL e dependência das definições para o governo estadual.

Sul: Após difíceis rachas internos, como o de Santa Catarina, emerge a dobradinha Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) para disputar o Senado pelo Paraná, no rastro da filiação de Sérgio Moro ao PL.

Nordeste: Na Bahia, são esperados o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB-AL) possivelmente disputará com Arthur Lira (PP-AL). No Rio Grande do Norte, o nome preferido pelo governo é o da governadora Fátima Bezerra (PT).

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