Ciro Nogueira descarta terceira via e elogia Flávio Bolsonaro: “Tem a eleição nas mãos”

Estamos firmes, unidos”, diz Ciro Nogueira ao posar com Bolsonaro

Presidente do PP afirma que enquanto Lula e Bolsonaro “forem vivos” não há espaço para um terceiro candidato; senador também descarta ser vice de Flávio e pede moderação ao pré-candidato do PL


O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta segunda-feira, 27 de abril, que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, tem a eleição nas mãos, mas pode jogar tudo fora se focar na “extrema-direita”. A declaração ocorreu durante um evento do grupo Esfera Brasil, em São Paulo.


A sentença sobre a terceira via

O presidente do PP foi categórico ao descartar qualquer candidatura que não seja Lula ou Flávio no segundo turno: “O Brasil teve quatro grandes líderes: Getúlio, Juscelino, Lula e Bolsonaro. Pela primeira vez dois se enfrentaram. Enquanto eles tiverem nesse campo, não tem espaço para terceira via.”

A posição não é nova. Desde março, Nogueira já vinha sinalizando que o cenário estava “consolidado” para um segundo turno entre Lula e Flávio, sem espaço para alternativas como o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que chegou a ser cotado como possível terceira via. “Não há uma terceira via em nosso país. Não tem nenhum candidato que possa tirar nem Lula nem Flávio no segundo turno”, já havia declarado.


O alerta a Flávio: não falar só para a “extrema-direita”

Apesar de reconhecer o potencial de Flávio, Nogueira foi enfático ao apontar os riscos da campanha do senador. “É uma eleição que vai ser definida na margem de erro. Não pode errar”, declarou. O senador disse que Flávio pode “jogar fora se for falar apenas para a extrema-direita e for ouvir aquele discurso dele dos Estados Unidos”.

Nogueira fez referência à participação de Flávio na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas, em março, onde o filho do ex-presidente acusou o governo de Joe Biden de suposta interferência nas eleições de 2022, afirmando: “Vou vencer porque é a vontade do meu povo.”

Em análise anterior, o presidente do PP já havia classificado Flávio como o “Bolsonaro que se vacinou” e alertado que, se não fizer uma bela campanha, estará “fadado a perder a eleição”. “Ele precisa fazer uma campanha que unifique o Brasil e que foque no futuro deste país para ter real chance de vencer essa eleição”, acrescentou.


Uma eleição de rejeição — e o papel do centro

Ciro Nogueira vê as eleições de 2026 como uma disputa de rejeição. “Flávio tem condições de ganhar essa eleição porque é uma eleição de rejeição”, afirmou. Para o senador, os eleitores de centro vão ser os responsáveis por decidir o pleito.

Renata Abreu, do Podemos, concordou com a fala de Nogueira sobre o possível favoritismo de Flávio e afirmou que o Podemos está hoje na centro-direita do espectro político, sinalizando alinhamento com o campo que orbita em torno do pré-candidato do PL.


Ciro descarta ser vice e mira reeleição ao Senado

O senador do Piauí também aproveitou o evento para afastar de vez seu nome de uma possível chapa com Flávio. “O foco total é na minha reeleição ao Senado pelo Piauí”, disse Nogueira, que foi um dos nomes cotados para a vaga de vice-presidente. “O meu nome está fora desse arco de possíveis candidatos a vice do senador Flávio”, declarou.


O cenário eleitoral na visão de Nogueira

O presidente do PP previu que o centro e a direita devem eleger o maior número de cadeiras no Congresso Nacional nestas eleições. “A esquerda deve eleger uns 130, 140 deputados, 20, 23 senadores, e o restante vai ficar entre o centro e a direita”, projetou.

Nogueira também apontou mudanças no mapa eleitoral em relação a 2022. Para ele, o Nordeste deverá entregar 10% a menos de votos para Lula, o que corresponderia a cerca de 800 mil pessoas. Além disso, avaliou que cresceu o número de evangélicos que votam na direita, mas que o convencimento do voto feminino continua sendo um desafio para o campo bolsonarista.

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