Flávio e Tarcísio estreiam pré-campanha conjunta na Agrishow e criticam atuação de Lula no agro

Como foi a primeira agenda conjunta de Tarcísio e Flávio na pré-campanha |  VEJA

Em sua primeira aparição pública lado a lado, governador de São Paulo chama senador de “próximo presidente” e exalta legado do ex-presidente; duo anuncia série de agendas conjuntas em maio pelo interior paulista


O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaram nesta segunda-feira, 27 de abril, da primeira agenda conjunta de pré-campanha para as eleições de 2026. A movimentação ocorreu durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, em Ribeirão Preto (SP).

O encontro foi tratado como um gesto político de aproximação no campo da direita e serviu para reforçar o peso político do ex-presidente Jair Bolsonaro no discurso dos dois aliados.


Tarcísio chama Flávio de “próximo presidente”

No discurso, Tarcísio afirmou que estar ao lado de Flávio é uma forma de manter “vivo o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro”, exaltou o aprendizado que teve com o capitão reformado do Exército e saudou o senador como “próximo presidente” do país.

O governador também relembrou a edição de 2022 da feira: “Lembro que, em 2022, entrei montado a cavalo na Agrishow com Jair Bolsonaro.” Em seguida, elogiou o aliado: “Flávio, a sua camisa diz muito: ‘orgulho do nosso agro’. Você captura como ninguém o sentimento presente no dia de hoje.”

O gesto ganhou força porque partiu justamente de Tarcísio, nome frequentemente citado no campo da direita quando o assunto é sucessão presidencial, mas que deve disputar a reeleição em São Paulo.


Críticas ao governo Lula e defesa do agro

Em seu discurso, Tarcísio criticou diretamente o governo do presidente Lula, mencionando que haverá aumento de carga tributária em abril e que o crédito está “cada vez mais caro”. O governador também fez críticas à esquerda e destacou pautas ligadas ao campo e à propriedade privada: “Aqui em São Paulo não tem ‘carnaval vermelho’. Aqui a gente preza pelo direito de propriedade.”

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirmou que o setor agropecuário enfrenta um “momento difícil”, citando a tempestade perfeita. O deputado Lupion também criticou o governo federal: “Infelizmente, o que temos hoje é um governo federal que despreza o produtor, não aceita nosso sucesso, não aceita que alimentação do mundo inteiro depende de nós.”


Flávio tenta ampliar a base e costura aliança com o centro

Flávio aproveitou o palanque para sinalizar abertura a partidos de centro. “Já foi assim com o prefeito Ricardo Nunes, está sendo assim agora com o Felício Ramuth, excelentes quadros no partido e tenho a convicção de que nós vamos fazer muito pelo nosso País juntos”, disse o senador, dirigindo-se a Baleia Rossi, presidente do MDB, presente na plateia.

A declaração ocorre num momento em que o senador tenta atrair partidos de centro para sua campanha. O MDB, porém, tem a tradição de liberar seus diretórios estaduais no pleito presidencial.


Série de agendas conjuntas previstas para maio

Outro movimento importante anunciado no encontro foi a confirmação de uma série de agendas conjuntas no estado de São Paulo ao longo de maio. Segundo Tarcísio, ele e Flávio devem percorrer cidades como Campinas, Sorocaba e Presidente Prudente, em um roteiro que amplia a exposição pública da dobradinha e dá sequência ao movimento iniciado na Agrishow.

A sinalização mostra que a presença conjunta não foi pontual e tende a virar parte da estratégia política das próximas semanas.


A ausência de Lula e o papel simbólico da Agrishow

Lula não compareceu ao evento. A abertura, no domingo, 26, contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Agricultura, André de Paula.

A escolha da Agrishow para essa largada não foi casual. A feira é tratada como espaço relevante para negócios, mas também como ambiente de forte simbolismo político, especialmente para lideranças que buscam diálogo com o agronegócio. Ao aparecerem juntos ali, Tarcísio e Flávio tentaram transformar a afinidade com o setor em ativo eleitoral e, ao mesmo tempo, sinalizar unidade em torno de Bolsonaro como principal referência do grupo.

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