“A Globo só está no ar graças ao STF”, afirma Gilmar Mendes ao criticar emissora e acusar jornalistas de serem “ghost writers” de Moro

É incogitável e seria irresponsável falar em anistia agora, diz Gilmar  Mendes

Em sessão no STF, decano da Corte ataca cobertura da Lava Jato pela Rede Globo, defende o tribunal como guardião da imprensa livre e ironiza o ex-juiz Sergio Moro


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, criticou a atuação de jornalistas da TV Globo ao comentar a cobertura da Operação Lava Jato durante sessão da Segunda Turma do STF nesta terça-feira (14). A declaração foi dada no momento em que o ministro reagia aos pedidos de indiciamento de integrantes da Corte apresentados à CPI do Crime Organizado.

“Ghost writers” de Moro e Dallagnol

Na fala, Gilmar afirmou que houve “jornalistas da Globo, servindo de ghost writers para Moro, para Dallagnol”. Em seguida, disse que parte dessa cobertura também foi marcada por ataques a quem criticava a operação. Segundo o ministro, esses profissionais atuaram “flertando com o abismo, atacando quem criticava a Lava Jato”.

Gilmar Mendes acusou parte da imprensa de ignorar ou relativizar os excessos identificados posteriormente na Operação Lava Jato, citando os documentos revelados pela Operação Spoofing como prova dos abusos. Para o decano, os mesmos veículos que exaltaram a força-tarefa agora dirigem acusações ao STF sem base e com finalidades distintas do controle institucional.

Em outra ocasião, durante discurso alusivo aos 135 anos do STF, Gilmar já havia ironizado rumores de que Sergio Moro teria contratado escritores fantasmas para seus livros: “Como todos sabem, e eu não quero constranger ninguém, muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghost writers de Moro e companhia. E veja: Moro precisava ter ghost writers, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela.”

O STF como “salvador” da Globo

O ministro também mencionou ameaças feitas à concessão da emissora durante o governo anterior: “Quantas vezes eu ouvi durante o governo passado a ideia de que era fácil liquidar a Globo, a concessão da Globo, caçar a concessão da Globo?”, declarou. Na sequência, atribuiu ao STF o fato de isso não ter ocorrido: “Isso não ocorreu graças ao Supremo Tribunal Federal, à possibilidade de se ter um mandado de segurança aqui deferido.”

Para o ministro, isso demonstra que o tribunal protegeu a liberdade de imprensa contra arbitrariedades políticas — ao mesmo tempo em que a Globo, segundo ele, teria se posicionado de forma parcial durante a Lava Jato.

Críticas ao indiciamento e defesa do STF

Na mesma sessão, Gilmar afirmou que CPIs não têm competência legal para indiciar ministros do Supremo e classificou a iniciativa como um erro técnico e histórico. A manifestação foi acompanhada por André Mendonça e Dias Toffoli, que também criticaram o relatório apresentado à CPI do Crime Organizado.

O decano defendeu que o STF cumpriu seu papel ao frear os excessos da operação Lava Jato e reiterou que a Corte atuou para preservar garantias individuais mesmo diante de fortes pressões. Segundo Gilmar, o indiciamento de ministros representa um “erro histórico sem sustentação jurídica”.

O ministro também classificou o relatório da CPI como um “constrangimento institucional” e uma “cortina de fumaça”, argumentando que o documento teria como objetivo produzir dividendos eleitorais para determinados atores políticos, em vez de enfrentar o grave problema do crime organizado a que se propôs investigar.

Comentários

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *