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Em entrevista à Rádio BandNews nesta terça-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez declarações contundentes sobre a relação entre o Brasil e os Estados Unidos, em meio à crise provocada pela sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. Lula afirmou que os EUA demonstram “um pouco de ciúmes” da participação brasileira no grupo dos Brics, e voltou a defender a criação de uma moeda comum entre os países do bloco como alternativa ao dólar.

Declarações de Lula
- “Os Estados Unidos têm um pouco de ciúmes da participação do Brasil no Brics.”
- “Não podemos ficar dependendo do dólar, que é uma moeda de um único país.”
- “Não era o Trump que deveria estar taxando o Brasil, éramos nós que deveríamos estar taxando os norte-americanos.”
Segundo Lula, o Brasil acumulou um déficit comercial de US$ 410 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos.
Medida provisória de socorro às empresas
Para mitigar os efeitos da sobretaxa, Lula anunciou que assinará uma medida provisória criando uma linha de crédito de R$ 30 bilhões voltada a empresas brasileiras prejudicadas, especialmente pequenos exportadores de produtos como tilápia, frutas, mel e máquinas. O pacote inclui:
- Compras governamentais de produtos perecíveis para programas sociais
- Incentivo à abertura de novos mercados
- Estímulo à contestação legal das tarifas nos EUA
- Ações na Organização Mundial do Comércio (OMC)
Convite a Trump para a COP30
Apesar das críticas, Lula afirmou que enviou uma carta oficial convidando Donald Trump para participar da COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém, no Pará, em novembro. “Ele não precisa gostar de mim, eu não preciso gostar dele. Ele só tem que gostar do Brasil e eu do povo americano”, disse o presidente.
Contexto geopolítico
A presidência brasileira no Brics em 2025 e a proposta de uma moeda comum têm sido vistas por analistas americanos como uma ameaça à hegemonia do dólar. Trump, por sua vez, tem adotado uma postura de confronto, impondo tarifas e revogando compromissos climáticos internacionais, como o Acordo de Paris.