
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), criticou duramente a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de solicitar o afastamento de parlamentares acusados de obstruir o plenário, entre eles os catarinenses Zé Trovão, Caroline de Toni e Júlia Zanatta. Mello classificou os argumentos como “frágeis” e afirmou que a medida representa uma “ameaça à democracia”.

Afastamento e polêmica
O episódio ocorreu após uma ocupação de mais de 30 horas do plenário da Câmara por deputados da oposição, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Hugo Motta indicou cinco parlamentares para afastamento por até seis meses, incluindo os três catarinenses.
Entre os casos mais polêmicos está o da deputada Júlia Zanatta, que levou sua filha de quatro meses ao plenário durante o protesto. A presença da criança gerou críticas e uma denúncia ao Conselho Tutelar, sob alegação de exposição indevida. Mello reagiu:
“Qual o problema nisso? Onde está o perigo de uma deputada, mãe, estar com sua filha no plenário? Se é alguém de esquerda com um filho no colo, é empoderamento. Se é de direita, chama o Conselho Tutelar. Que brincadeira é essa?”
Santa Catarina e o desequilíbrio federativo
Jorginho Mello também aproveitou para denunciar o que considera um desequilíbrio federativo:
“Santa Catarina recebe apenas 10% dos recursos que envia a Brasília. A perda de representatividade agravaria esse quadro”.
Segundo o governador, o afastamento de parlamentares eleitos com votação expressiva enfraquece a voz do estado no Congresso e compromete a defesa de seus interesses.
A crise expõe o embate entre a oposição bolsonarista e a presidência da Câmara, que tenta retomar a normalidade institucional. A ocupação do plenário foi motivada por demandas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.