
Nos últimos anos, a América Latina tem sido palco de uma série de escândalos de corrupção envolvendo líderes políticos de diferentes países — muitos deles alinhados ideologicamente com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A recente inclusão do ex-presidente argentino Alberto Fernández na lista de investigados reacende o debate sobre a ética pública entre os aliados da chamada esquerda latino-americana.

Alberto Fernández: o novo integrante da lista
Em agosto de 2025, a Justiça argentina processou o ex-presidente Alberto Fernández (2019–2023) por um esquema de contratação irregular de seguros durante seu mandato. O decreto presidencial obrigava órgãos públicos a contratar apólices exclusivamente com a empresa estatal Nación Seguros, favorecendo intermediários ligados ao círculo íntimo de Fernández. Estima-se que o esquema tenha movimentado mais de US$ 2,2 milhões em comissões indevidas. O juiz Sebastián Casanello ordenou o bloqueio de bens de Fernández no valor de US$ 14 milhões.
Outros aliados de Lula envolvidos em escândalos
Diversos líderes latino-americanos próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentaram ou ainda enfrentam sérias acusações de corrupção, abuso de poder e má gestão pública. Embora unidos por afinidades ideológicas e pela participação em fóruns como o Foro de São Paulo, muitos desses aliados têm histórico jurídico controverso.
Na Argentina, a ex-vice-presidente Cristina Kirchner foi condenada em 2022 a seis anos de prisão por fraude em contratos de obras públicas, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da corrupção na região. Já no Equador, o ex-presidente Rafael Correa foi condenado em 2020 a oito anos de prisão por corrupção e atualmente vive exilado na Bélgica, longe da Justiça equatoriana.
Na Bolívia, o ex-presidente Evo Morales é alvo de investigações por corrupção e abuso de poder, incluindo denúncias sobre o uso indevido de aviões oficiais para fins pessoais. Embora não tenha sido condenado, o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, é frequentemente criticado por seu apoio a regimes autoritários, como o de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Maduro, por sua vez, enfrenta acusações internacionais de corrupção, lavagem de dinheiro e repressão política, sendo considerado por muitos organismos multilaterais como um dos líderes mais autoritários da América Latina. Na Nicarágua, o presidente Daniel Ortega também é acusado de desvio de recursos públicos e de promover uma repressão sistemática contra opositores, mantendo-se como um aliado histórico do Foro de São Paulo.
Lula e os vínculos ideológicos
Lula sempre defendeu a integração latino-americana sob uma perspectiva progressista, sendo um dos fundadores do Foro de São Paulo, que reúne partidos de esquerda da região. Em diversos momentos, o presidente brasileiro manifestou apoio político ou pessoal a líderes como Kirchner, Correa, Morales e Maduro, mesmo diante de denúncias graves.
Durante seu terceiro mandato, Lula tem buscado fortalecer os Brics, ampliar parcerias com países do Sul Global e promover uma moeda comum entre os membros do bloco — o que inclui a China e a Rússia, regimes também criticados por falta de transparência e autoritarismo.