
Um áudio vazado revelou o desabafo dramático do juiz Airton Vieira, que atuou como auxiliar do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2018 e março de 2025. Na gravação, enviada ao ex-assessor Eduardo Tagliaferro, Vieira relata estar no limite físico, psicológico e emocional, afirmando que sua família foi “extremamente prejudicada” pelas pressões do trabalho no gabinete do ministro.

“Eu não consigo dormir sossegado, não tenho tranquilidade, estou perdendo completamente a higidez mental, o pouco que eu ainda tinha. Realmente a coisa está feia”, diz Vieira no áudio.
Denúncias de espionagem e perseguição política
O vazamento ocorre em meio a denúncias graves feitas por Tagliaferro, que acusa Moraes de:
- Elaborar relatórios com alvos predefinidos, geralmente de direita
- Negar acesso às provas aos advogados dos investigados
- Terceirizar espionagem política para civis por meio de um grupo secreto
- Usar o TSE para alimentar inquéritos sigilosos no STF
Tagliaferro afirma ter entregue documentos a uma emissora internacional e promete novas revelações que poderiam tornar “insustentável” a permanência de Moraes no cargo.
Bloqueio de contas e ativos
Em resposta às denúncias, o ministro Moraes determinou o bloqueio de contas bancárias, cartões e chaves Pix de Tagliaferro. O Banco Central confirmou que a medida foi executada em 31 de julho de 2025, como parte de um inquérito sigiloso que apura vazamentos de informações confidenciais.
Exílio e ameaças
Após ser indiciado pela Polícia Federal por violação de sigilo funcional, Tagliaferro deixou o Brasil e foi visto na Itália, onde celebrou com champanhe a sanção imposta por Donald Trump contra Moraes, por meio da Lei Magnitsky. Em vídeos e mensagens, o ex-assessor promete divulgar o que chama de “a pontinha do iceberg” sobre os bastidores do STF.
O caso reacende o debate sobre:
- Os limites das decisões monocráticas no STF
- A transparência dos inquéritos sigilosos
- O uso do sistema financeiro como instrumento de coerção judicial