Pesquisa Ipsos-Ipec: 56% dos brasileiros não confiam em Lula e 50% reprovam sua forma de governar

Ipec: 34% avaliam governo Lula como ótimo ou bom, mesmo percentual que o  considera ruim ou péssimo | G1

Uma pesquisa do Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira (22 de junho) mostrou que a maioria dos brasileiros não confia no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar a reeleição em outubro deste ano e tentar um quarto mandato.

Os números da desconfiança

De acordo com o levantamento, 56% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula, ante 41% que dizem confiar no presidente da República. Outros 3% não opinaram ou não souberam responder.

Em relação à última rodada da pesquisa, em março deste ano, o cenário ficou praticamente estável. Na época, 56% diziam não confiar no chefe de Estado, enquanto 40% afirmavam o contrário.

A estabilidade dos números ao longo de três meses é um dado relevante: nem os escândalos que sacudiram o campo bolsonarista nesse período — como o caso Banco Master e seus desdobramentos sobre Flávio Bolsonaro — nem as turbulências que atingiram o governo — como o caso INSS e as investigações sobre o líder do governo no Senado Jaques Wagner — foram suficientes para mover de forma significativa o nível de confiança na figura do presidente.

Quem mais desconfia de Lula

A pesquisa também revelou que a maior desconfiança em relação a Lula vem dos homens, com 58%, acima da taxa média. Entre o público feminino, o percentual dos que não confiam no petista também é alto (54%).

A desconfiança em Lula é ainda maior entre a parcela da população que possui ensino médio (62%) e ensino superior (64%). Em relação às faixas etárias, o pior desempenho do presidente é registrado entre pessoas de 25 a 34 anos de idade, com 63% de desconfiança.

O pior índice para Lula é observado entre os entrevistados que recebem mais de cinco salários mínimos (70%) e os evangélicos (70%). Por outro lado, confiam mais no presidente aqueles que ganham até um salário mínimo (53%).

Os números revelam uma divisão estrutural: Lula mantém sua base entre os mais pobres — que dependem diretamente de programas sociais como o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo —, enquanto perde terreno de forma expressiva entre os mais escolarizados, os mais abastados e os evangélicos, grupo que representa cerca de 30% do eleitorado e que historicamente migrou para o bolsonarismo nos últimos anos.

A avaliação do governo

A pesquisa Ipsos-Ipec também mostrou que o terceiro governo Lula é considerado ruim ou péssimo por 38% dos brasileiros. Segundo o levantamento, 32% avaliam a atual gestão como boa ou ótima, enquanto 28% a classificam como regular.

Na comparação com os números de março, houve uma pequena oscilação de 2 pontos percentuais para baixo na reprovação ao governo (eram 40% os que o consideravam ruim ou péssimo), dentro da margem de erro da pesquisa. O percentual dos que avaliam o governo como bom ou ótimo se manteve estável (era de 33% em março). Já a parcela dos que o consideram regular aumentou 4 pontos percentuais (24% em março).

Como o eleitorado avalia a forma de Lula governar

O levantamento também quis saber dos entrevistados se aprovavam ou não a maneira como Lula governa o país. Segundo o Ipsos-Ipec, 50% dos brasileiros disseram reprovar a forma do presidente da República de conduzir a nação, ante 44% que a aprovam. Outros 6% não souberam ou não responderam. Em março, a forma como Lula governa o Brasil era desaprovada por 51% e aprovada por 43% dos entrevistados.

A percepção de desempenho: abaixo das expectativas

O levantamento também mostrou que 42% dos entrevistados entendem que o governo Lula vem tendo um desempenho pior do que o esperado. Para 32%, a gestão petista tem um desempenho igual ao que se esperava. Outros 23% disseram que o governo Lula está melhor do que as expectativas. No levantamento de março, 43% diziam que o governo do PT era pior do que o esperado, 28% avaliavam o desempenho como igual ao que se esperava e 25% afirmavam que estava melhor.

A metodologia

A pesquisa Ipsos-Ipec entrevistou 2 mil eleitores em 130 municípios do Brasil de 13 a 17 de junho de 2026. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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