Santa Catarina gera quase 60 mil empregos no primeiro trimestre de 2026 e entra no top 3 nacional — indústria e construção civil puxam o crescimento

Santa Catarina cresce acima da média nacional em indústria, comércio e  serviços

Nos primeiros três meses de 2026, Santa Catarina gerou quase 60 mil novos empregos formais, de acordo com dados do Caged. O grande motor desse resultado foi a indústria, com cerca de 32,4 mil novos postos de trabalho, seguida de perto pelo setor de serviços, que gerou 23,6 mil vagas. Até abril, o estado manteve posição de destaque no cenário nacional, ficando entre os três maiores geradores de empregos formais do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

O que é o Caged e como ele mede o emprego formal

O Caged — Cadastro Geral de Empregados e Desempregados — é o principal instrumento do Ministério do Trabalho para acompanhar o mercado de trabalho formal no Brasil. Todo mês, as empresas são obrigadas a informar ao governo as admissões e demissões realizadas com carteira assinada. O saldo — diferença entre contratações e dispensas — indica se o país ou um estado específico está gerando ou destruindo empregos formais naquele período. O Caged só captura o trabalho com registro em carteira, ou seja, deixa de fora os trabalhadores informais, autônomos sem vínculo formal e microempreendedores individuais — o que significa que os números reais de geração de ocupações e renda tendem a ser ainda maiores do que o que o indicador registra.

Os setores que puxaram a geração de empregos

Sozinha, a indústria respondeu por mais da metade de todas as vagas geradas no território catarinense no acumulado do ano até março. A construção civil despontou como o segmento de maior volume de contratações, somando 9,6 mil novos vínculos formais, com destaque expressivo para a construção de edifícios. A forte valorização imobiliária no litoral catarinense continua sendo o principal atrativo para investidores e o combustível do setor.

A valorização do litoral catarinense — onde Itapema e Balneário Camboriú figuram como os metros quadrados mais caros do Brasil — alimenta diretamente um ciclo virtuoso para a construção: mais investidores, mais lançamentos, mais obras e, consequentemente, mais empregos formais na cadeia produtiva do setor.

Outro destaque de peso foi o segmento de alimentos e bebidas, que registrou a maior alta relativa: um crescimento expressivo de 43,5% frente ao ano anterior, resultando em um saldo de 4,1 mil vagas. O desempenho foi alavancado pelo aquecimento das exportações de carnes e pelas vendas no varejo supermercadista. O bom momento do setor de alimentos acabou gerando um “efeito cascata” na cadeia de fornecedores, impulsionando a fabricação de produtos químicos e plásticos, que abriu 1,8 mil postos.

Santa Catarina é um dos maiores produtores de proteína animal do Brasil — com gigantes como BRF e WEG sediados no estado —, e o aquecimento das exportações de carne para mercados internacionais como China, Oriente Médio e Europa tem impacto direto na geração de empregos em toda a cadeia, da produção agrícola ao processamento industrial.

A desaceleração do têxtil: um alerta em meio ao bom desempenho geral

Nem todos os setores acompanharam o ritmo positivo. Setores tradicionais como o têxtil, confecção, couro e calçados, que historicamente estão entre os que mais admitem no estado, dão sinais de desaceleração. Embora tenham garantido o segundo maior volume de vagas da indústria no trimestre — 5,4 mil postos —, o resultado aponta uma queda de 28,6% em relação ao ritmo do ano anterior.

A desaceleração do têxtil em Santa Catarina não é coincidência: reflete a mesma pressão que o segmento sofre em todo o Brasil com a abertura comercial e a concorrência de produtos importados, especialmente da China e do Sudeste Asiático, que chegam ao mercado brasileiro com preços que a indústria local tem dificuldade de competir.

A comparação com 2025 e a aceleração de março

O resultado trimestral consolidado em 2026 representa uma retração de 8,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o estado havia registrado 63,5 mil novos postos. Entretanto, o ritmo de contratações deu sinais de aceleração na reta final do período. Considerando apenas o mês de março, o incremento de empregos saltou de 10,6 mil em 2025 para 16,9 mil em 2026.

Esse padrão — queda no acumulado trimestral, mas aceleração no mês de março — sugere que o início de 2026 foi mais lento, mas que o mercado de trabalho catarinense ganhou tração ao longo do período, o que pode indicar um segundo trimestre mais robusto.

A avaliação da FIESC

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, avaliou os números com otimismo cauteloso: “A indústria catarinense tem se mostrado resiliente, mas os avanços estão concentrados em alguns setores específicos. Isso mostra a importância de termos uma indústria diversificada e bem distribuída por todo o território.”

A fala de Seleme aponta para um desafio estrutural relevante: enquanto construção civil e alimentos explodem, o têxtil recua. A geração de empregos em Santa Catarina é real e expressiva — mas não é uniforme, e a concentração do crescimento em poucos setores expõe a economia estadual a riscos caso esses segmentos desacelerem. A diversificação industrial, historicamente uma das marcas do modelo econômico catarinense, continuará sendo o principal fator de resiliência do estado diante das incertezas do cenário nacional e internacional nos próximos meses.

Comentários

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *