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Temporais com queda de granizo atingiram cidades de Santa Catarina na noite desta segunda-feira (25). Moradores de Chapecó e Concórdia, no Oeste Catarinense, e Lages, na Serra, registraram chuva intensa, rajadas de vento e pedras de gelo durante a passagem da instabilidade.
O que é granizo e como ele se forma
O granizo é uma forma de precipitação sólida composta por camadas de gelo que se formam dentro de nuvens de tempestade muito verticais — as chamadas cumulonimbus. Nessas nuvens, correntes ascendentes de ar quente e úmido sobem com grande força e levam gotículas de água a altitudes onde a temperatura está bem abaixo de zero. Ao congelarem, essas gotículas formam pequenas esferas de gelo que, ao serem novamente puxadas para baixo pela gravidade e depois arremessadas para cima pelas correntes de ar, vão acumulando camadas sucessivas de gelo, como uma cebola. Quando o peso das pedras supera a força das correntes de ar, elas caem. Quanto mais intensas forem as correntes ascendentes dentro da nuvem, maiores e mais pesadas podem ser as pedras de granizo. Em eventos severos, como o registrado em Santa Catarina, elas podem atingir o tamanho de um ovo e causar danos significativos a telhados, veículos, plantações e estruturas expostas.
Os estragos em Chapecó
Em Chapecó, os principais registros ocorreram na região Sul do município, especialmente no Distrito de Marechal Bormann, Linha Serrinha e Linha Campinas. Casas tiveram telhados danificados e moradores relataram momentos de medo durante o temporal. Além dos danos em residências, também foram registrados relatos de falta de energia elétrica em algumas casas do interior do município. Vídeos e fotos compartilhados nas redes sociais mostram pedras de granizo de grande porte, algumas comparadas ao tamanho de um ovo.
Segundo a prefeitura de Chapecó, equipes da Defesa Civil foram mobilizadas para atender as ocorrências e realizar o levantamento dos danos. A prefeitura informou ainda que, assim que forem concluídos os atendimentos, será divulgado um relatório operacional com os dados consolidados da ocorrência. A Defesa Civil destacou que dois novos equipamentos do Sistema Antigranizo estão previstos para instalação no mês de junho, sendo que um deles será implantado na região Sul, no Distrito de Marechal Bormann.
O que é o Sistema Antigranizo
O Sistema Antigranizo é uma tecnologia utilizada por municípios para reduzir a intensidade das chuvas de granizo em áreas vulneráveis. Ele funciona por meio de geradores de iodeto de prata instalados no solo, que liberam partículas na atmosfera capazes de interferir na formação das pedras de gelo dentro das nuvens de tempestade. Ao criar mais núcleos de condensação, o sistema induz a formação de pedras menores e mais leves, que causam menos danos ao cair. É uma tecnologia amplamente utilizada em regiões agrícolas do Sul do Brasil, onde o granizo pode destruir safras inteiras em questão de minutos.
Concórdia: pedras de até 6 centímetros
A mesma célula de tempestade que provocou granizo em Chapecó também atingiu com intensidade o município de Concórdia. De acordo com o Coronel Walter Parizotto, as pedras de gelo chegaram a cerca de 6 centímetros de diâmetro. Houve danos em construções, plantações e automóveis atingidos pela tempestade.
Lages também foi afetada
Em Lages, a forte chuva de granizo também foi registrada durante a noite desta segunda-feira. Apesar da intensidade do temporal e da grande quantidade de pedras de gelo em alguns bairros, até o momento não há registro de destruição ou ocorrências graves na cidade.
O alerta precoce da Defesa Civil e a sombra do El Niño
A Defesa Civil de Santa Catarina já havia emitido alerta para temporais com possibilidade de granizo em regiões do estado durante a noite desta segunda-feira. Nas redes sociais, o meteorologista Piter Scheuer publicou registros dos temporais e comentou sobre o cenário climático: “Se concretizando as previsões de tempo severo. El Niño apenas iniciando.”
A frase do meteorologista carrega um peso considerável. O El Niño — fenômeno causado pelo aquecimento das águas do Pacífico que intensifica chuvas, tempestades e eventos climáticos extremos no Sul do Brasil — ainda está nos estágios iniciais de seu ciclo para 2026. Isso significa que os episódios de granizo, enchentes, alagamentos e temporais tendem a se tornar mais frequentes e intensos nos próximos meses. Santa Catarina, que já acumula alertas de ciclones, ressacas e decretos de alerta climático em vários municípios nesta semana, pode estar apenas vendo o começo de uma temporada climática especialmente difícil — e as autoridades de proteção civil do estado parecem cada vez mais conscientes disso.
A Defesa Civil segue monitorando as condições climáticas em diferentes regiões catarinenses. Até o momento, não há informações sobre feridos ou desabrigados relacionados às ocorrências de granizo registradas no estado.