Flávio Bolsonaro se reúne com Trump no Salão Oval por 1h40 e pede classificação do PCC e CV como organizações terroristas

Flávio Bolsonaro e Eduardo vão a encontro com Trump - 26/05/2026 - Mônica  Bergamo - Folha

O senador e pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro esteve reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca na tarde desta terça-feira (26 de maio). A confirmação foi feita pelo próprio senador por meio das redes sociais, onde publicou fotografia ao lado de Trump.

A visita durou cerca de 1h40 e incluiu conversas sobre facções brasileiras, o papel da China no Brasil e relações geopolíticas. Nas imagens também aparecem o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e o comentador de direita Paulo Figueiredo, neto do último presidente do período militar brasileiro, João Figueiredo.

O que foi discutido

Flávio afirmou ter solicitado formalmente que os Estados Unidos classifiquem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. “Fui exatamente fazer o pedido expresso a ele para que ele declare CV e PCC como organizações terroristas”, declarou o parlamentar em coletiva de imprensa.

Para entender a dimensão desse pedido: quando os EUA classificam uma organização como terrorista, ela passa a sofrer sanções automáticas — bloqueio de ativos no sistema financeiro americano, proibição de transações com cidadãos e empresas norte-americanas e restrições em países com tratados de cooperação com Washington. No caso do PCC e do CV, as duas maiores facções criminosas do Brasil, uma classificação desse tipo teria impacto imediato sobre suas operações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que passam pelo sistema financeiro internacional, além de abrir espaço para cooperação direta entre a DEA, o FBI e forças de segurança brasileiras.

Em discurso após o encontro, Flávio afirmou que comunicou a Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil integraria o chamado “escudo das Américas” — uma aliança hemisférica que incluiria Estados Unidos, Argentina, El Salvador, Equador, Paraguai, Chile, Panamá e República Dominicana — voltada ao combate ao crime organizado transnacional e ao terrorismo. Também apresentou ao presidente norte-americano a posição do Brasil no cenário mundial de terras raras e minerais críticos, afirmando que o país tem a segunda maior reserva mundial e seria a “única alternativa real à China para o mundo livre”, propondo uma parceria estratégica de longo prazo no setor com investimentos e reindustrialização compartilhada entre os dois países.

O que são terras raras e por que elas importam

Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos — como neodímio, lítio, cobalto e lantânio — essenciais para a fabricação de tecnologias modernas: baterias de veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos militares de alta precisão e sistemas de defesa. Hoje, a China domina mais de 60% da produção mundial e cerca de 80% do processamento dessas matérias-primas, o que lhe confere uma vantagem estratégica enorme nas disputas geopolíticas com o Ocidente. O Brasil, com a segunda maior reserva do mundo, tornou-se um ponto central nas negociações americanas para diversificar o fornecimento e reduzir a dependência de Pequim — o que explica por que esse tema tem aparecido em praticamente todas as reuniões recentes entre autoridades brasileiras e o governo Trump, independentemente do espectro político.

Trump perguntou sobre Jair Bolsonaro

O senador afirmou que, durante o encontro, Trump perguntou sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo sobre as condições da prisão e como a família tem lidado com a situação. Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena de 27 anos. Flávio classificou a pergunta de Trump como “um gesto humano”.

Trump teria dado a Flávio uma “challenge coin”, medalha utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos como símbolo de respeito e reconhecimento.

O peso político do encontro

Flávio fez questão de destacar o ineditismo da reunião: “Nunca antes um presidente dos EUA recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência. É o reconhecimento de que existe hoje no Brasil uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo, e que essa alternativa tem nome.”

O senador também fez questão de marcar distância da forma como o presidente Lula conseguiu seu próprio encontro com Trump, intermediado pelo empresário Joesley Batista: “Quero registrar, antes de qualquer coisa, que esta reunião não foi intermediada por nenhum empresário duvidoso. Foi um convite direto do presidente dos EUA, feito ao seu nível, entre líderes políticos.”

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