
Série “Os Intocáveis” publicada pelo pré-candidato nas redes sociais retratou ministro do STF “negociando” decisão judicial em troca de “cortesia em resort”; PGR pede indenização mínima de 100 salários mínimos; Zema reage e diz que “não vai recuar um milímetro”
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A peça jurídica cita postagens do pré-candidato à Presidência em uma série de vídeos considerados ofensivos.

O vídeo que originou a denúncia
Romeu Zema tem publicado nas redes sociais uma série satírica chamada “Os Intocáveis”, em que Gilmar é representado por bonecos, ao lado dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas publicações, o personagem atribuído a Gilmar agiria para ajudar colegas por relações com o Banco Master.
O vídeo publicado por Zema mostra os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes “negociando” decisões judiciais, com o segundo pedindo uma “cortesia” em resort como pagamento.
O vídeo satiriza a decisão de Gilmar Mendes que, em 27 de fevereiro, anulou a decisão da CPI do Crime Organizado que havia determinado a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridth Participações, ligada à família do ministro Dias Toffoli.
O argumento da PGR: não é sátira, é calúnia
“O denunciado não se limitou a formular crítica institucional, paródia política ou inconformismo com decisão judicial. Ao atribuir falsamente ao ministro Gilmar Mendes a prática de corrupção passiva, fez incidir o tipo de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal, que pune a imputação falsa de fato definido como crime”, diz a denúncia. O procurador-geral da República entende que, sob o pretexto de humor, Romeu Zema imputou um crime ao representar uma cena em que Gilmar Mendes negociaria vantagem indevida.
Por que a denúncia foi ao STJ, e não ao STF
O procurador-geral, Paulo Gonet, entendeu que o STJ é o órgão responsável para analisar a denúncia, pois o crime tem relação com o exercício do cargo. Como Zema era governador à época das publicações, ele possui prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça para os crimes cometidos durante o mandato.
A indenização pedida: 100 salários mínimos
A PGR solicitou ainda a fixação de indenização mínima por danos morais no valor equivalente a 100 salários mínimos. O órgão afirmou que o montante representa “parâmetro compatível com a gravidade da imputação caluniosa, a extensão da divulgação e a repercussão pública da ofensa, sem prejuízo de posterior liquidação complementar na esfera própria”.
A origem do conflito: Gilmar pediu inclusão de Zema no Inquérito das Fake News
A troca de farpas entre o ministro do STF e Zema teve início a partir da publicação da série “Os Intocáveis” nas contas do ex-governador nas redes sociais. O decano do STF chegou a pedir que o ex-governador fosse incluído no Inquérito das Fake News, relatado por Alexandre de Moraes. No documento, afirmou que o ex-governador teria tratado com desdém “não apenas a honra e a imagem” do STF, mas também a sua própria honra.
A reação de Zema: “Não vou recuar um milímetro”
Procurado, o ex-governador respondeu novamente com críticas ao STF: “Os intocáveis não aceitam críticas. Os intocáveis não aceitam o humor. Os intocáveis não querem prestar contas de seus atos. Os intocáveis se julgam acima dos demais brasileiros. Se estão incomodados com uma sátira, deve ser que a carapuça serviu. Não vou recuar um milímetro.”