
Com 42,8 doadores por milhão de população em 2025, SC supera em mais de 100% a média brasileira de 20,3; estado realizou 350 doações efetivas e mais de 1.200 transplantes; recusa familiar de apenas 32% é bem abaixo dos 45% registrados no restante do país
Santa Catarina registrou, em 2025, a maior taxa de doadores de órgãos do Brasil, com 42,8 doadores por milhão de população. Os dados são do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgados na última quarta-feira, 6 de maio. A média nacional foi de 20,3 por milhão de população, menos da metade do índice catarinense.

Os números de 2025 em Santa Catarina
Ao longo do ano, Santa Catarina contabilizou 804 notificações de potenciais doadores, das quais 350 se transformaram em doações efetivas. Entre os destaques, estão as doações de córnea, rim e fígado.
O perfil dos doadores catarinenses em 2025 foi composto majoritariamente por homens, com idades entre 35 e 64 anos, e óbitos causados principalmente por acidente vascular cerebral (AVC) e traumatismo cranioencefálico (TCE).
Os transplantes realizados: mais de 1.200 procedimentos
Em 2025, foram realizados em Santa Catarina 345 transplantes de rim — sendo 332 com doador falecido e 13 com doador vivo —, 137 de fígado, 8 de coração, 22 de pâncreas (incluindo transplantes combinados pâncreas/rim) e 700 de córnea.
A fila de espera e as mortes enquanto aguardam
A demanda por órgãos permanece alta. Em dezembro de 2025, 1.291 pacientes adultos e 17 pediátricos estavam na lista de espera por um órgão em Santa Catarina, principalmente por rim e córnea. No mesmo ano, 73 adultos morreram enquanto aguardavam transplante, a maioria na fila renal.
A recusa familiar: SC abaixo da média nacional
Entre os principais entraves para ampliar a doação está a recusa familiar, que ocorreu em 32% das entrevistas realizadas com parentes de potenciais doadores. O percentual é inferior à média nacional, de 45%, segundo dados da ABTO.
A entrevista familiar é considerada uma das etapas mais sensíveis do processo de doação. Para qualificar essa abordagem, Santa Catarina realiza, em média, dez Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até 2025, 3.082 profissionais de saúde foram capacitados.
A voz de quem coordena o sistema
“Cada vez mais, famílias que enfrentam o momento mais difícil de suas vidas, que é a perda de um ente querido, têm autorizado a doação de órgãos e tecidos. Mesmo diante do luto, muitas optam por transformar a dor em um gesto de generosidade”, afirma o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade.
Como manifestar o desejo de ser doador
Todas as pessoas podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito — basta comunicar à família o desejo de ser doador, pois a doação só acontece após autorização familiar.