Fragata Tamandaré é incorporada à Marinha e recoloca o Brasil na produção de navios de guerra; Marinha vai incorporar outros navios de guerra construídos em SC

SC constrói navios de guerra de última última geração; conheça | G1

Construída em Itajaí (SC) com investimento de R$ 12 bilhões, a F200 é o navio de guerra mais moderno do Brasil e marca o retorno do país ao seleto grupo de nações capazes de produzir fragatas militares; cerimônia de incorporação ocorreu na Base Naval do Rio de Janeiro e foi acompanhada pela assinatura de um novo lote de quatro embarcações


A Fragata Tamandaré (F200), construída em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi incorporada à esquadra brasileira na última sexta-feira, 24 de abril, durante cerimônia de Mostra de Armamento realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. O ato marcou a transferência do navio para o setor operativo da Marinha do Brasil e simboliza um avanço no processo de modernização da força naval.

Primeira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), a F200 inaugura uma nova geração de navios de guerra construídos no país. O projeto é resultado da parceria entre a Marinha do Brasil e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada pelas empresas Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), Embraer Defesa e Segurança e Atech, sob gestão da Emgepron.


A cerimônia de incorporação

Durante a cerimônia, foi assinado o “Termo de Armamento”, formalizando a incorporação da fragata à Armada. Na sequência, ocorreu o descerramento da placa de incorporação e o hasteamento do Pavilhão Nacional e da Bandeira do Cruzeiro a bordo. O Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé também foi investido como comandante do navio, com o içamento da flâmula de comando.

Para o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, a entrada em operação da F200 representa um avanço nas capacidades da Esquadra. “Cada etapa de sua construção incorporou um aprendizado institucional que permanece no País, fortalecendo as capacidades nacionais”, afirmou.


Uma obra 100% brasileira — com tecnologia de ponta

A F200 foi integralmente construída no Brasil, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), com utilização de mão de obra local e por meio de um processo de transferência de tecnologia, que contribui para o fortalecimento da Indústria Naval Nacional.

O navio de guerra é o primeiro de quatro unidades e integra um projeto com investimentos de R$ 12 bilhões, via Novo PAC do governo federal.

A Fragata Tamandaré tem deslocamento aproximado de 3.380 toneladas, comprimento de 107,2 metros, boca de 15,95 metros e velocidade máxima de 25 nós — equivalente a cerca de 47 km/h. Possui autonomia de 5.500 milhas náuticas e é dotada de convoo, hangar para helicóptero, radares, sensores e armamentos de última geração.


Capacidade de combate simultâneo em três ambientes

No contexto das operações, a Fragata Tamandaré está preparada para conduzir missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície de forma simultânea. O navio possui sensores com alta capacidade de detecção e acompanhamento de contatos, com destaque para o radar de busca volumétrica — principal sensor do navio para contatos acima d’água, como embarcações a longas distâncias, aeronaves e drones.

Entre os dias 9 e 13 de abril, a fragata passou por testes de armas na área marítima de Cabo Frio, com lançamento real de armamentos. Durante os testes, a embarcação realizou disparos com o canhão de 76 mm contra alvos simulando ameaças de superfície, além do lançamento de torpedo contra alvo do tipo transponder, validando em condições reais de combate os sistemas que definem sua capacidade operacional no mar.


O papel estratégico na Amazônia Azul

As Fragatas Classe Tamandaré são consideradas estratégicas para as atividades de controle e monitoramento da área marítima sob jurisdição brasileira, conhecida como Amazônia Azul, que abrange mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Os navios também contribuem para o apoio à política externa brasileira e para a presença naval em áreas de interesse estratégico, reafirmando o compromisso da Marinha com a defesa da soberania nacional e a segurança marítima.


Brasil encomenda mais quatro fragatas — e Itajaí vira polo naval

A assinatura de um novo memorando de entendimento durante a cerimônia de incorporação confirmou a intenção de expansão do programa naval brasileiro com a construção de mais quatro embarcações da mesma classe. O documento foi celebrado entre a União, por meio do Ministério da Defesa, e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, consolidando um novo passo no processo de modernização da esquadra.

Para o segundo lote, a meta é elevar o índice de conteúdo local de 32% para 42%. Além do aumento da participação da indústria nacional, as novas unidades deverão sair de fábrica com o míssil antinavio brasileiro MANSUP-ER integrado, com alcance estendido para 250 quilômetros.

“A construção impulsiona um número significativo de empregos diretos e indiretos, mobiliza ampla cadeia produtiva e promove capacitação de empresas brasileiras em tecnologias sensíveis e de alta complexidade”, afirmou o comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.


As próximas fragatas e o cronograma de entregas

Atualmente, outras três fragatas seguem em construção no estaleiro em Itajaí: Jerônimo de Albuquerque (F201), Cunha Moreira (F202) e Mariz e Barros (F203). A F201 deve iniciar os testes de mar no segundo semestre de 2026. A F202 está em fase final de montagem do casco, com lançamento ao mar previsto para junho, enquanto a F203 teve a construção iniciada neste ano.

O objetivo do programa, segundo a Marinha, é substituir meios navais veteranos, como as fragatas da Classe Niterói e as corvetas Classe Inhaúma, que se aproximam do fim da vida útil.

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