
Prefeito Leonel Pavan anunciou o projeto inspirado em atrações turísticas da China e prevê ainda um elevador para substituir a trilha que hoje atrai apenas 100 visitantes por semana; obra enfrenta desafios ambientais e de engenharia
A cidade de Camboriú, vizinha de Balneário Camboriú no litoral catarinense, pode ganhar a passarela de vidro mais alta do planeta. O prefeito Leonel Pavan confirmou em entrevista ao podcast Skyline Cast que a estrutura será posicionada a 686 metros de altitude no Pico da Pedra, tradicional cartão-postal do município. A referência declarada pelo próprio prefeito são as passarelas de vidro que funcionam como atração turística na China, estruturas suspensas sobre precipícios que simulam rachaduras no piso para provocar reações nos visitantes.
O projeto vai além da passarela de vidro. Pavan também projeta a instalação de um elevador que transportaria visitantes do nível da estrada até o topo da montanha, eliminando a necessidade de percorrer a trilha de aproximadamente 2 km que hoje é a única forma de acesso ao Pico da Pedra. A caminhada atrai cerca de 100 pessoas nos fins de semana. O objetivo declarado é multiplicar esse número com infraestrutura que torne o topo acessível a qualquer visitante, independentemente de condicionamento físico.
Por que a altitude é o diferencial
As passarelas de vidro mais conhecidas do mundo estão na China, onde estruturas como a do Parque Nacional de Zhangjiajie ficam a cerca de 300 metros acima do vale. Se construída na altitude anunciada pelo prefeito, a passarela de vidro catarinense ocuparia posição sem precedentes no ranking global, transformando um ponto turístico local em atração com apelo internacional.
O Pico da Pedra é visível desde a BR-101, principal rodovia do litoral catarinense, e pode ser acessado tanto por Camboriú quanto pela vizinha Itapema, municípios que junto com Balneário Camboriú formam um dos eixos turísticos mais movimentados do Sul do Brasil.
Como é a trilha hoje
O percurso até o topo tem cerca de 2 km apenas na ida, com ganho de elevação de aproximadamente 400 metros, partindo de cotas baixas e atingindo 620 metros de altitude no ponto final, onde o visual panorâmico é considerado um dos melhores do litoral catarinense. Apesar de curta em distância, a inclinação acentuada e os trechos escalonados na rocha fazem com que a subida exija algum preparo físico.
Idosos, crianças pequenas e pessoas com mobilidade reduzida ficam excluídos da experiência, e mesmo adultos em boa forma costumam levar até duas horas para completar o trajeto. A passarela de vidro combinada com o elevador projetado pelo prefeito mudaria essa equação por completo, transformando um destino de nicho para praticantes de trilha em atração turística de massa acessível a qualquer perfil de visitante.
Os desafios do projeto
O projeto de Pavan ainda está no estágio de anúncio político, sem detalhes de engenharia, orçamento ou cronograma publicados. Erguer uma passarela de vidro a 686 metros de altitude envolve desafios que incluem transporte de materiais pesados por terreno íngreme, fundações em rocha natural, resistência a ventos de alta intensidade e conformidade com normas de segurança que no Brasil ainda não têm referência direta para esse tipo de estrutura.
Há também a questão ambiental. O Pico da Pedra está inserido em área de Mata Atlântica, bioma protegido por legislação federal, e qualquer obra de grande porte no local precisará de licenciamento ambiental que avalie o impacto sobre a vegetação, a fauna e os recursos hídricos da montanha. A tramitação ambiental pode levar anos antes que a primeira laje de vidro seja instalada.
O potencial para o turismo
Se sair do papel, a estrutura colocaria Camboriú no mapa do turismo de aventura e arquitetura extrema. Uma passarela de vidro a 686 metros de altura, com vista para o litoral catarinense, a serra e possivelmente até a curvatura do horizonte marítimo, teria potencial para atrair visitantes que hoje concentram seus roteiros em Balneário Camboriú e não cruzam para o município vizinho.
Camboriú, que historicamente vive na sombra turística da vizinha balnearista, encontraria na passarela de vidro uma identidade própria capaz de gerar receita independente. Se o Pico da Pedra receber a mesma atenção que outros mirantes de vidro pelo mundo, as 100 pessoas que sobem por semana podem se transformar em milhares por dia, mudando completamente a economia de uma cidade que até agora vivia de ser passagem entre Itapema e Balneário Camboriú.