
Passivo judicial de R$ 6,4 bilhões e alto custo operacional puxaram o resultado negativo; empresa acumula quatro anos seguidos de déficit desde 2022
Os Correios informaram nesta quinta-feira (23) que a estatal registrou em 2025 um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, número impulsionado por passivos com processos judiciais e o custo operacional da empresa. O passivo com processos judiciais somou R$ 6,4 bilhões no ano.
Em nota, a empresa afirmou que o balanço reflete um cenário de enfrentamento de passivos históricos e a intensificação de medidas estruturantes para garantir a sustentabilidade da estatal no longo prazo.
Quatro anos seguidos no vermelho
O resultado consolida uma sequência negativa ininterrupta. Após cinco anos consecutivos de lucros, os Correios iniciaram uma trajetória de déficits a partir de 2022, quando registraram prejuízo de R$ 768 milhões. Em 2023, o resultado foi negativo em R$ 597 milhões, representando uma melhora em relação ao ano anterior, mas ainda impactado pelo desembolso de R$ 2 bilhões para o plano de equacionamento do déficit do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários da estatal. Já em 2024, a empresa publicou demonstrações financeiras com prejuízo de R$ 2,6 bilhões — quatro vezes maior do que o registrado no ano anterior.
O prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 supera todos os anos anteriores e representa o maior déficit da história da empresa.
As dívidas que pesaram no balanço
Em dezembro de 2024, ainda na gestão do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos, a empresa tomou R$ 550 milhões em empréstimos com os bancos ABC e Daycoval, que deveriam ser pagos até o final de 2025. Os Correios quitaram boa parte do valor, mas até o terceiro trimestre ainda restava pagar R$ 76,6 milhões ao Banco ABC.
Contexto operacional
Em 2021, os Correios chegaram a registrar lucro de R$ 2,3 bilhões. Naquela época, a estatal tinha 115 mil funcionários, número que atualmente foi reduzido para cerca de 88 mil. Apesar da redução de pessoal, a empresa continua sendo uma das maiores empregadoras do país.
Já nos dois primeiros meses de 2025, a estatal acumulava perdas de R$ 1 bilhão. A diretoria atribuiu parte do prejuízo à taxação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, que reduziu o volume de encomendas internacionais processadas pela empresa.
O balanço completo de 2025 ainda deverá ser submetido à análise de auditoria independente, assim como ocorreu com as demonstrações de 2024, quando os auditores ressalvaram dados contábeis da empresa.