
Relatórios médicos enviados ao ministro Alexandre de Moraes apontam melhora nos sistemas pulmonar e digestivo; ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde 27 de março
O STF recebeu, nesta sexta-feira (17), documentos da defesa de Jair Bolsonaro informando que o ex-presidente está apto a realizar uma cirurgia no ombro direito. Relatórios médicos anexados ao processo indicam melhora no quadro clínico geral do ex-presidente, de 71 anos, que recentemente tratou uma pneumonia bilateral.
O cardiologista Brasil Ramos Caiado relatou que o ex-presidente mostra “melhora discreta e progressiva” no pulmão esquerdo. O médico também citou “boa evolução” digestiva, já que o ex-presidente reduziu as queixas de refluxos gastroesofágicos, recorrentes quando ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal de Brasília.
Os documentos enviados à Corte relatam recuperação dos sistemas pulmonar e digestivo, além da redução de sintomas como falta de ar, cansaço e refluxo gastroesofágico. As crises de soluço também foram controladas após ajustes na medicação, com resposta considerada “satisfatória”.

A lesão no ombro e a indicação cirúrgica
O ortopedista Alexandre Firmino Paniago afirmou que exames de imagem e testes físicos confirmaram uma lesão de alto grau no tendão do supraespinhal, localizado na parte superior do ombro. O médico destacou que o quadro é “refratário à fisioterapia” e, dado que Bolsonaro apresenta melhora clínica geral, ele está considerado apto para a realização de uma cirurgia por via artroscópica, procedimento considerado minimamente invasivo.
Segundo o ortopedista, a cirurgia é necessária para “fixação das lesões do manguito rotador do ombro direito e lesões associadas”. Bolsonaro relatou melhoras nas dores e no funcionamento do ombro direito, mas segue “refratário à fisioterapia”, persistindo com dor noturna em movimentos específicos que ativam a musculatura lesada, com necessidade de uso de medicação analgésica diária.
Exercícios e preparo pré-operatório
No dia 16 de abril, Bolsonaro realizou atividades em esteira, bicicleta ergométrica e exercícios leves de musculação para membros inferiores e superiores, com foco na mobilidade da cintura escapular. Apesar de uma intercorrência no dia 13 de abril — quando uma sessão foi interrompida após o ex-presidente relatar fadiga e dor dorsal após oito horas de soluços —, o fisioterapeuta observa uma progressão gradual e recomenda a continuidade do preparo pré-operatório.
Histórico de documentos enviados ao STF
Esta não é a primeira vez que a defesa de Bolsonaro aciona o STF para tratar da necessidade de intervenção cirúrgica. Em 10 de abril, os advogados já haviam enviado à Corte novos laudos e relatórios fisioterapêuticos. Os documentos foram protocolados no âmbito da Execução Penal 169, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Antes disso, em 3 de abril, a defesa protocolou outro relatório fisioterapêutico informando que o ex-presidente sofria de dores crônicas e graves no ombro.