
Ídolo nacional enfrentava tumor cerebral há 15 anos; maior pontuador da história das Olimpíadas deixa um legado inigualável dentro e fora das quadras
O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, após ser internado em São Paulo por conta de um mal-estar. Oscar chegou a ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), mas não resistiu. A informação foi confirmada pela assessoria de Oscar.
Oscar lutou durante 15 anos contra um tumor cerebral. A assessoria informou que o velório será fechado para a família.

Uma vida dedicada ao basquete
Considerado o maior nome do basquete brasileiro, Oscar construiu uma trajetória marcada por feitos históricos dentro e fora do país. Conhecido como “Mão Santa”, tornou-se o maior pontuador da história da modalidade, com 49.737 pontos ao longo da carreira.
Nascido em Natal (RN), em 1958, ele encontrou no basquete não apenas um talento, mas um destino. Ainda jovem, se mudou para São Paulo, onde começou a construir uma carreira que mudaria o esporte no Brasil.
Oscar teve passagens por clubes como Palmeiras, Sírio, Corinthians e Flamengo, além de atuar por equipes da Itália e da Espanha.
O sacrifício pela seleção brasileira
Mesmo tendo sido selecionado no draft da NBA em 1984 pelo New Jersey Nets, optou por não jogar na liga estadunidense para seguir defendendo a seleção brasileira. Uma decisão que, para muitos, resumia quem ele era: um homem que escolheu o Brasil quando poderia ter escolhido a fama e o dinheiro da maior liga do mundo.
Pela seleção brasileira, Oscar participou com destaque das Olimpíadas de Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Disputou ainda quatro Mundiais com a seleção, nos anos de 1978, 1982, 1986 e 1990.
Recordes que ninguém apagará
Ao longo da carreira, disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos e se tornou o maior cestinha da história da competição, com 1.093 pontos.
Oscar detém ainda o recorde de maior número de pontos marcados em uma única partida olímpica, com 55 pontos anotados contra a Espanha, em 1988.
Foi incluído no Hall da Fama do basquete mundial em 2013. O ala se aposentou em 2003, aos 45 anos.
A batalha contra o câncer
Em 2011, Oscar Schmidt foi diagnosticado com câncer no cérebro e passou por cirurgias e sessões de tratamento. Mesmo diante da doença, nunca deixou de aparecer em eventos ligados ao esporte, falar com paixão sobre o basquete e inspirar gerações de brasileiros.
Enfrentou vitórias históricas, derrotas duras e, nos últimos anos, o desafio mais difícil: a própria saúde — ainda assim, nunca deixou de ser referência.
O Brasil perde hoje não apenas um atleta, mas uma identidade. Oscar Schmidt não foi só o maior cestinha da história — foi o símbolo de uma geração que acreditava que o Brasil podia vencer o mundo. E ele provou, diversas vezes, que podia.