A chamada “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo federal para tributar compras internacionais de até US$ 50, acabou gerando um efeito colateral severo: uma crise financeira e operacional nos Correios. A medida, que visava aumentar a arrecadação, resultou em queda no volume de encomendas, perda de mercado e prejuízo bilionário para a estatal.
Impactos financeiros e operacionais
- Em 2024, os Correios registraram um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, o maior entre todas as estatais naquele ano.
- A quantidade de encomendas internacionais caiu em 22,46 milhões de pacotes, uma retração de 11%.
- A participação dos Correios no mercado de entregas internacionais despencou de 98% para apenas 30%, uma perda de 68 pontos percentuais.
- A receita com envios internacionais caiu 37%, afetando diretamente a sustentabilidade da empresa.
Reação do consumidor e do mercado
- A nova taxa desestimulou compras em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, especialmente entre consumidores de menor renda.
- Muitos passaram a buscar alternativas logísticas privadas, que oferecem fretes mais rápidos e menos burocráticos.
- A queda na demanda comprometeu a principal fonte de receita dos Correios no segmento internacional.
Consequências políticas e administrativas
- O então presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, pediu demissão em julho de 2025, em meio à pressão política e ao colapso financeiro da estatal.
- A crise também gerou disputas internas no governo, com o União Brasil pressionando por controle da presidência da empresa.
Arrecadação x prejuízo
- Apesar da queda nas remessas, a Receita Federal afirma que a arrecadação com impostos sobre compras internacionais aumentou cerca de 40%.
- No entanto, especialistas apontam que o rombo nos Correios e o impacto no consumidor superam os ganhos fiscais imediatos.
Antes da taxa das blusinhas (até meados de 2023)
- Volume de encomendas: Alto. Os Correios movimentavam quase 100% das entregas internacionais de pequeno valor.
- Arrecadação federal: Limitada, já que compras internacionais abaixo de US$ 50 eram isentas de tributos federais (para pessoas físicas).
- Receita dos Correios: Estável e crescente no segmento internacional, com boa margem vinda de fretes e taxas alfandegárias.
- Presidência da estatal: Conduzida de forma técnica e com estabilidade na liderança.
- Comportamento do consumidor: Forte adesão a plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Baixo custo e isenção atraíam pequenos consumidores.
- Logística nacional: Correios bem posicionados como principal operador de distribuição de e-commerce internacional.
- Confiabilidade da estatal: Alta entre pequenos e médios consumidores.
Depois da taxa das blusinhas (2024–2025)
- Volume de encomendas: Queda de 22,46 milhões de pacotes em 2024; retração de 11% no total de envios internacionais.
- Arrecadação federal: Crescimento pontual de até 40% em tributos incidentes sobre essas compras.
- Receita dos Correios: Despencou 37% no setor internacional, provocando um prejuízo bilionário de R$ 2,6 bilhões.
- Presidência da estatal: Instabilidade política; o presidente Fabiano Silva dos Santos pediu demissão em meio à crise.
- Comportamento do consumidor: Redução drástica nas compras internacionais. Migração para transportadoras privadas e serviços de redirecionamento de encomendas.
- Logística nacional: Correios perderam 68 pontos percentuais de participação nesse mercado — caíram de 98% para 30%.
- Confiabilidade da estatal: Preocupações com atrasos, custos adicionais e perda de competitividade frente a operadores privados.