
A Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal e supervisionada pelo ministro Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal (STF), continua a revelar um dos mais graves escândalos envolvendo o Judiciário brasileiro. O inquérito investiga um esquema de venda de sentenças judiciais e vazamento sistemático de informações sigilosas, com ramificações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e em Tribunais Regionais.
Principais pontos da investigação:
- A operação já teve dez fases e envolve advogados, empresários, lobistas, servidores públicos e chefes de gabinete.
- Embora nenhum ministro do STJ tenha sido formalmente acusado, quatro gabinetes estão sob apuração direta.
- A investigação começou após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, cujo celular revelou indícios de um esquema de corrupção judicial.
- A PF identificou o uso de informações confidenciais para proteger aliados, frustrar ações policiais e construir redes de influência.
- O esquema também envolve lavagem de dinheiro, com empresas e operadores financeiros atuando para dissimular o pagamento de propinas.
Impacto e desdobramentos:
- Um dos alvos mais recentes foi o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, preso preventivamente por suspeita de envolvimento no vazamento de informações.
- A operação revelou até mesmo listas com valores para execuções sob encomenda, indicando a atuação de grupos criminosos com poder de intimidação e violência.
- A PF já apreendeu bens no valor de R$ 20 milhões, bloqueou passaportes e impôs restrições a investigados.
A profundidade e a abrangência da Operação Sisamnes indicam que o caso ainda está longe de ser encerrado.
Linha do Tempo da Operação Sisamnes
🔹 2020 a 2022 — Surgimento do Esquema
- Investigadores acreditam que o esquema criminoso de venda de decisões judiciais já atuava nos bastidores de tribunais regionais e superiores, articulando sentenças favoráveis mediante pagamento a agentes infiltrados.
🔹 Abril de 2023 — Assassinato de Roberto Zampieri
- O advogado é executado em Cuiabá (MT).
- Durante a investigação do crime, a Polícia Civil encontra no celular de Zampieri mensagens e documentos que indicavam tráfico de influência, venda de decisões e conexões perigosas com lobistas e operadores.
🔹 Maio a Dezembro de 2023 — Fases 1 a 3 da Operação
- A Polícia Federal lança as primeiras fases da Operação Sisamnes, concentrando-se na apuração da morte de Zampieri e no desdobramento financeiro da rede.
- Identificações iniciais de advogados, empresários e ex-servidores públicos envolvidos com decisões judiciais compradas.
🔹 Fevereiro de 2024 — Fase 4
- Foco na movimentação financeira: investigados teriam utilizado empresas de fachada e escritórios de advocacia para lavar dinheiro de propina judicial.
🔹 Abril de 2024 — Fase 5
- Prisão preventiva de Andreson de Oliveira Gonçalves, lobista suspeito de ser intermediário do esquema.
- Quebra de sigilos fiscais e bancários revela comissões de até R$ 1 milhão por decisão obtida.
🔹 Agosto de 2024 — Fase 6
- Apontado o envolvimento de gabinetes de tribunais superiores, incluindo o STJ, com a coleta de provas indicando vazamento sistemático de informações.
🔹 Janeiro de 2025 — Fase 7
- Ligação entre servidores do STJ e líderes políticos regionais vêm à tona. A PF intensifica escutas autorizadas e apreensões digitais.
🔹 Março de 2025 — Fase 8
- Prisão de Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador do Tocantins, por envolvimento no núcleo de influência.
- Citações frequentes a ministros e desembargadores acendem alerta na cúpula do Judiciário.
🔹 Junho de 2025 — Fase 9
- Prisão do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, acusado de comandar vazamentos internos do STJ e atrapalhar investigações.
- A operação atinge seu ponto mais sensível com quatro gabinetes de ministros do STJ formalmente investigados, embora nenhum magistrado tenha sido indiciado até agora.
Veja o perfil dos principais investigados na Operação Sisamnes:
Eduardo Siqueira Campos
- Cargo: Prefeito de Palmas (TO)
- Acusações: Vazamento de informações sigilosas do STJ para aliados políticos; uso da posição para proteger investigados e ampliar sua rede de influência.
- Situação atual: Preso preventivamente por ordem do STF; afastado do cargo.
- Histórico: Filho do ex-governador Siqueira Campos; político com longa trajetória em cargos estaduais e federais.
Antônio Ianowich Filho
- Profissão: Advogado
- Acusações: Fonte de informações privilegiadas para Eduardo Siqueira; envolvido na articulação de vazamentos.
- Situação atual: Preso preventivamente; mensagens interceptadas mostram comunicação direta com o prefeito sobre movimentações da PF.
Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz
- Profissão: Policial civil
- Acusações: Atuava na segurança pessoal de Eduardo Siqueira; suspeito de repassar dados sigilosos de investigações.
- Situação atual: Preso preventivamente; está na carceragem do 6º Batalhão da PM em Palmas.
Thiago Marcos Barbosa
- Profissão: Advogado
- Relação: Sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa.
- Acusações: Suspeito de vazar detalhes de operações judiciais; teria sido beneficiado por informações repassadas por Eduardo Siqueira.
- Situação atual: Preso desde março de 2025; mensagens com o desembargador Helvécio de Brito foram chave para a investigação.
Aníbal Manoel Laurindo
- Profissão: Produtor rural
- Acusações: Apontado como mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri, motivado por disputa de terras.
- Situação atual: Preso; considerado peça central no braço violento do esquema.
Coronel Luiz Cacadini
- Profissão: Militar da reserva
- Acusações: Suspeito de financiar o assassinato de Zampieri; ligado ao grupo “Comando C4”.
- Situação atual: Preso preventivamente.
Andreson de Oliveira Gonçalves
- Profissão: Lobista
- Acusações: Intermediador de propinas e decisões judiciais; considerado peça-chave na engrenagem financeira do esquema.
- Situação atual: Preso desde a 5ª fase da operação; teve bens bloqueados e passaporte retido.