Trump pede que membros do Escudo das Américas classifiquem “narcoterroristas” como ameaça comum, e 14 países aderem à medida — PCC e Comando Vermelho estão na lista

Na ONU, Trump ameaça usar poder militar dos EUA para garantir 'interesses'  na América Latina - BBC News Brasil

Declaração conjunta inclui 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas estrangeiros; documento prevê congelamento de bens e restrições de entrada e vistos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (22/9), durante evento à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova York, que os países integrantes do Escudo das Américas classifiquem formalmente narcotraficantes como ameaças comuns à estabilidade regional e adotem sanções contra as organizações que Washington já considera terroristas. Em resposta ao apelo, ao menos 14 países latino-americanos e caribenhos assinaram, ainda nesta terça, uma ação conjunta contra 24 organizações incluídas na lista dos Estados Unidos — entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O pedido de Trump

“Hoje, estou pedindo a todas as nações do Escudo das Américas que designem formalmente os narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade e apliquem sanções esmagadoras contra todas as 24 organizações terroristas estrangeiras designadas pelos Estados Unidos”, declarou Trump durante o evento da iniciativa.

O republicano apresentou o combate aos cartéis como uma das principais prioridades da articulação, classificando os grupos criminosos como a maior ameaça à segurança dos países do Hemisfério Ocidental. “Durante anos, os cartéis travaram uma guerra contra os povos deste hemisfério. Agora, nós estamos travando uma guerra contra eles”, afirmou, prometendo apoio dos Estados Unidos aos países que aderirem às medidas.

Os 24 grupos e a posição do PCC e do CV na lista

O PCC e o CV aparecem, respectivamente, nos itens 16 e 17 da relação de 24 organizações incluídas na primeira ação conjunta anunciada pelos integrantes do Escudo das Américas. A lista reúne ainda grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clã do Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN) e Sendero Luminoso. As duas facções brasileiras haviam sido designadas como organizações terroristas estrangeiras pelo governo norte-americano em junho deste ano.

O que prevê a declaração conjunta

O documento assinado pelos países-membros não estabelece uma legislação única a ser seguida por todos os signatários. Em vez disso, prevê que cada governo adote as medidas cabíveis dentro de suas próprias normas jurídicas. Entre as ações mencionadas estão o bloqueio de ativos, restrições de entrada e de vistos, e a responsabilização de pessoas que forneçam conscientemente apoio material ou logístico aos grupos listados.

Segundo nota divulgada pelo bloco, a coordenação de sanções, designações e ações financeiras contará com compartilhamento de inteligência, treinamento e desenvolvimento profissional de recursos humanos entre os países participantes. O texto do comunicado afirma reconhecer “uma ameaça imediata e universalmente compartilhada” no hemisfério, representada por “organizações narcoterroristas transnacionais”, e anuncia a primeira ação conjunta sob os pilares recém-criados da iniciativa.

O que é o Escudo das Américas

O Escudo das Américas é uma coalizão anticartéis lançada pelo governo Trump em março de 2026, durante encontro em Miami, com a participação de líderes latino-americanos, entre eles o presidente argentino Javier Milei. A iniciativa foi apresentada, na ocasião, como uma frente de cooperação regional voltada ao combate ao narcotráfico, ao crime organizado transnacional e à influência chinesa no continente.

Desde o lançamento, a coalizão ampliou o número de integrantes. Em um fórum realizado no Panamá em agosto, participavam da iniciativa Estados Unidos, Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Brasil não faz parte da iniciativa

O Brasil não integra o Escudo das Américas nem participou da ação conjunta anunciada nesta terça-feira. A movimentação ocorre poucos dias depois de o governo Trump acusar o Brasil, em relatório enviado ao Congresso americano, de falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho — ainda que o país não tenha sido incluído na lista oficial de nações classificadas como grandes rotas de trânsito ou produtoras de drogas. O governo brasileiro rejeita a classificação das facções como organizações terroristas por parte de Washington e defende que o enfrentamento ao crime organizado ocorra por meio de cooperação internacional, sem ingerência externa em assuntos internos do país.

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