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Presidente americano defende soberania nacional, critica “agenda de burocratas globalistas”, rejeita controle sobre inteligência artificial e assina acordo de defesa da Groenlândia após a fala; discurso durou cerca de 40 minutos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou nesta terça-feira (22/9) na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova York, diante de quase 130 chefes de Estado. Trump subiu ao púlpito logo depois do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva — por tradição, desde 1955, o líder do Brasil abre os discursos no principal evento anual da ONU.
Balanço do governo e crítica à ONU
Logo no início da fala, que durou cerca de 40 minutos, Trump destacou números da economia americana, elogiou as Forças Armadas dos Estados Unidos e listou o que considera feitos de seu governo. “Enquanto outros falavam, eu agi. Enquanto outros falaram de paz, eu fiz paz. Enquanto outros ignoraram ameaças, eu as confrontei”, declarou, afirmando ter transformado os Estados Unidos no país mais forte do mundo.
O presidente afirmou que a ONU “tem um potencial enorme”, mas condicionou esse potencial a reformas profundas e ao fim do que chamou de “agenda de burocratas globalistas não eleitos”. Ele defendeu cortes no orçamento da organização e uma atuação mais alinhada ao respeito à soberania nacional de cada país, e chegou a acusar a ONU de tentar impor uma “agenda de extrema-esquerda”.
Ameaça ao Irã
Trump classificou o Irã como o maior “patrocinador” do terrorismo mundial, afirmando que o país espalha terror pelo Oriente Médio. Durante o discurso, ameaçou “aniquilar” o Irã caso o governo iraniano não feche um acordo com os Estados Unidos — declaração que ocorre em meio à guerra entre os dois países, que já provoca alta nos preços do petróleo no mercado internacional.
Cuba e México
Ao mencionar as negociações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com o governo cubano, a delegação de Cuba se levantou e deixou o plenário da Assembleia Geral em protesto. Trump seguiu a fala afirmando: “O comunismo nunca virá para os Estados Unidos, mas liberdade chegará para Cuba, e segurança chegará ao México”.
Inteligência artificial e o termo “Superinteligência”
Ao abordar tecnologia e segurança, Trump rejeitou esquemas de controle global sobre a inteligência artificial e propôs uma mudança de paradigma na forma de tratar o tema, defendendo o uso do termo “Superinteligência” em vez de “inteligência artificial” — segundo ele, a palavra “artificial” desvalorizaria o verdadeiro potencial da tecnologia. O presidente afirmou que os Estados Unidos lideram e continuarão liderando essa revolução tecnológica global, e disse que o país vai incentivar o desenvolvimento da IA em vez de tentar contê-la.
Groenlândia
Trump também voltou a mencionar o acordo firmado com a Dinamarca para o controle da segurança da Groenlândia, reforçando que nenhum adversário dos Estados Unidos poderá instalar bases militares no território. Após o discurso, o presidente assinou formalmente o acordo com representantes da Groenlândia e da Dinamarca, ampliando os poderes americanos para a defesa do território ártico.
Encerramento com apelo à união global
Ao concluir a intervenção, Trump deixou um apelo à coragem e à união global contra o que chamou de “inimigos da humanidade”. A sessão de alto nível desta terça ocorre em meio a um cenário internacional tenso, marcado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, pelo conflito em curso na Ucrânia contra a invasão russa, e pelas repercussões da guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza — temas que também estiveram entre as principais preocupações discutidas na Assembleia Geral.