
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu que uma empresa de aviação priorizasse um voo de “Barci” no jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, em 22 de agosto de 2025. A informação foi divulgada neste domingo (20) pela coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles. No mesmo dia, vaza um vídeo em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, aparecem desembarcando de uma aeronave desse modelo.

O que dizem as mensagens
O diálogo começou em 21 de agosto de 2025. Vorcaro pediu a uma interlocutora identificada como “Thatiane Prime”, provavelmente funcionária da empresa Prime You, um avião para Brasília. Ela perguntou o destino seguinte, e o banqueiro respondeu: Roraima.
A funcionária informou que seria possível atender o pedido com o PP-NLR, mas alertou para um conflito de agenda: o mesmo avião já estava reservado para um voo de “Barci”, com decolagem prevista para as 13h do Aeroporto Catarina, executivo localizado em São Roque (SP), a menos de uma hora de carro do centro da capital paulista. Como alternativa, ela sugeriu trocar a aeronave do voo de Barci pelo PT-PYH, que estava em Fortaleza com um cliente identificado como “sr. Joel”.
Vorcaro deixou clara a prioridade. Pediu que Barci fosse atendida “de qualquer forma”, disse que o voo dela deveria ser mantido e afirmou que buscaria outra solução para a própria viagem.
O vídeo publicado por O Globo
Na mesma data da divulgação, a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, exibiu imagens de duas pessoas que aparentam ser Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes descendo de um Legacy 650. Conforme a reportagem do Metrópoles, trata-se justamente do PP-NLR, a aeronave que Vorcaro determinou que fosse reservada a “Barci” naquele dia.
O contrato sob investigação
A viagem registrada em vídeo ocorreu cerca de três meses depois de o escritório de advocacia de Viviane Barci ter firmado, segundo as apurações da PF, um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa de Vorcaro. De acordo com os investigadores, esse acordo seria suplementar a outro, de R$ 131 milhões, celebrado com o Banco Master.
Os investigadores apontam que o contrato adicional previa o pagamento de parte dos honorários advocatícios por meio de cotas de utilização de um jato e de um helicóptero. A aeronave em questão seria exatamente o Legacy 650 PP-NLR.
Momento sensível para os negócios do banqueiro
O deslocamento teria ocorrido em um período crítico para Vorcaro. Um mês antes da viagem, o Banco Central já havia enviado um alerta formal ao Ministério Público Federal (MPF), apontando fortes indícios de gestão fraudulenta em operações financeiras entre o BRB e o Banco Master.
Declaração anterior de Moraes e posição dos citados
Em abril, por meio de nota oficial de seu gabinete, Moraes afirmou que jamais viajou em avião de Daniel Vorcaro, nem em sua companhia ou na de Fabiano Zettel, a quem disse sequer conhecer. À época, o Metrópoles havia publicado reportagem apontando que o ministro voou oito vezes em jatos de empresa ligada ao banqueiro.
Alexandre de Moraes e a defesa do escritório de sua esposa negam qualquer irregularidade no caso Master. Ambos sustentam publicamente que o contrato de R$ 50 milhões citado pelas investigações nunca existiu nem chegou a ser assinado pelas partes.