
Cobrança veio após divulgação de imagem em que o procurador-geral da República aparece ao lado do dono do Banco Master em degustação de charutos; Gilmar Mendes saiu em defesa de Gonet

Lideranças da oposição cobraram neste sábado (19/9) o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.
O registro e sua origem
A foto foi enviada em 19 de junho de 2025. “PG mandou agora”, disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem enviada logo em seguida. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
Resposta da assessoria de Gonet
Ao Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão de terça-feira (15/9), Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet. Em nota, o advogado Ciro Soares afirmou que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro, e disse não haver qualquer irregularidade no registro.
Acusações de Van Hattem
Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusou Gonet de ter mentido na sessão do STF realizada na última terça-feira, quando a Corte analisou uma petição sobre a possibilidade de abrir investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. “Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal”, disse Van Hattem. “O Gonet mentiu, disse que não tinha proximidade com o Vorcaro e claramente não só tinha proximidade, como tem, como dividiu o charuto com ele”, prosseguiu o deputado, que defendeu a abertura de investigação e a saída de Gonet da PGR.
Na sessão, Gonet havia afirmado que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse ter estado com o empresário em ocasião com outras autoridades, em abril de 2024.
Outras reações da oposição
O senador Carlos Viana (PSD-MG) também acusou Gonet de mentir: “Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente.” Segundo o senador, a PF encontrou a foto no celular do banqueiro, com Gonet “charuto na mão, uísque na mesa”, e o advogado do Master teria enviado a imagem com a frase “PG me mandou”. Viana lembrou ter protocolado, 17 dias antes, pedido de afastamento de Gonet do caso Master no STF, ainda sem resposta.
O senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu a renúncia do procurador-geral: “O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito.” O deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, afirmou que a foto “reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum”. Já o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), disse que Gonet escolheu “se aproximar de investigados e dos clientes” e relembrou uma frase da sabatina do procurador no Senado: “Gonet vc fracassou”.
Repercussão entre presidenciáveis
A foto também gerou reação de candidatos à Presidência. O senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou a imagem: “Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus co-autores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido.”
Gilmar Mendes defende Gonet
Na última quinta-feira (17/9), o ministro Gilmar Mendes, do STF, já havia saído em defesa de Gonet, após conversas reveladas mostrarem menções de Vorcaro ao procurador-geral. Na sessão de terça-feira, Gilmar afirmou que Gonet “teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam”. Segundo o ministro, o levantamento “apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”. “Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disse, em embate com o colega de Corte André Mendonça.