Planos de governo dos candidatos à Presidência variam de 7 a 200 páginas nas eleições de 2026

Onde os presidenciáveis decidiram começar a campanha eleitoral | G1

Documento de Rui Costa Pimenta (PCO) é o mais enxuto do pleito; o de Augusto Cury (Avante) é o mais extenso, mas dedica parte do espaço à biografia do candidato

Os programas de governo protocolados pelos candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026 apresentam grande variação em extensão, estrutura e grau de detalhamento técnico. O tamanho dos documentos vai de 7 páginas — plano apresentado por Rui Costa Pimenta (PCO) — a 200 páginas, no caso do programa de Augusto Cury (Avante).

Volume não significa mais detalhamento

O número de páginas de cada documento não representa necessariamente maior aprofundamento nas metas de gestão. Enquanto alguns candidatos optaram por resumos executivos ou cartas de diretrizes teóricas, outros apresentaram simulações financeiras, minutas de alterações legislativas e cronogramas de ações para os primeiros meses de mandato.

O plano mais extenso

O documento mais longo, registrado por Augusto Cury (Avante), tem 200 páginas e o slogan “Um Brasil para as próximas gerações”. As primeiras 32 páginas trazem discussões sobre o que o texto chama de adoecimento emocional coletivo, com referências a filósofos como Immanuel Kant, Friedrich Nietzsche e Liev Tolstói. A parte dedicada às propostas de governo vai da página 3 à 193, organizada em 19 “Diretrizes Temáticas”, 18 “Projetos Setoriais” e 3 “Grandes Reformas” — embora o sumário enumere as diretrizes de 1 a 20, sem que exista a de número 18 no corpo do documento. As 7 páginas finais são dedicadas à biografia do candidato e a suas premiações.

O plano mais curto

No outro extremo está o programa de Rui Costa Pimenta (PCO), o mais enxuto entre os candidatos, com apenas 7 páginas. Intitulado “Por salário, trabalho e terra/Revolução, governo operário e comunismo”, o documento se divide em 15 “pontos centrais de luta”.

Curiosidades estruturais

O plano de Renan Santos (Missão), com 51 páginas, funciona como resumo executivo de um documento maior, o chamado “Livro Amarelo”, de mais de 500 páginas, estruturado em três partes — “Estado Novo”, “Reformas de Base” e “País do Futuro” — e 14 capítulos.

A proposta de Clariana Barão (DC) tem 15 páginas e 30 subseções temáticas, todas definidas pela mesma frase-padrão sobre transformar cada eixo em agenda executável. O documento não traz metas numéricas, com a justificativa de que a calibração será feita em etapa posterior.

Já o texto de Wilson Grassi (Partido Democrata), de 58 páginas, apresenta uma inconsistência interna: a introdução cita 11 eixos de governo, mas o sumário e o corpo do texto detalham 14. O plano também não define diretrizes de política externa, área que, segundo o documento, será formulada em conjunto com o Itamaraty após a eleição.

Detalhamento técnico

O plano de Samara Martins (UP), com 67 páginas, apresenta um cálculo que prevê a conversão de US$ 366 bilhões em reservas internacionais para a construção de 12,5 milhões de moradias populares avaliadas em R$ 150 mil cada.

Wilson Grassi apresenta projeções da distribuição de contribuintes por faixa de renda para justificar a criação de um Imposto Único Federal sobre movimentação financeira. Renan Santos estabelece prazos operacionais específicos, como limite de 15 dias para licenciamento ambiental e de 48 horas para execução de demolição administrativa.

Ronaldo Caiado (PSD) apresenta o segundo plano mais extenso, com 100 páginas organizadas em 26 eixos, sob o slogan “Muito pra mostrar. Nada pra esconder”. Cada tema segue uma estrutura fixa, com sumário executivo, diagnóstico, propostas, indicadores de acompanhamento e ações para os primeiros 100 dias de governo.

Principais propostas por candidato

Entre os destaques dos programas está a proposta de Augusto Cury de mudar o regime político para o semipresidencialismo e reduzir o STF para nove ministros com mandato fixo de oito anos. Ronaldo Caiado defende a criação do Ministério da Segurança Pública e de uma “Lei do Terrorismo Doméstico” para enquadrar facções criminosas, com uso das Forças Armadas sem necessidade de Garantia da Lei e da Ordem.

Romeu Zema (Novo) propõe a saída diplomática do Brasil do BRICS e a transformação do Mercosul em zona de livre comércio. Samara Martins (UP) defende aumento de 100% no salário mínimo e a estatização de Eletrobras, Petrobras, Vale e empresas de saneamento e telecomunicações.

Flávio Bolsonaro (PL) propõe classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas, com autorização para abate de criminosos armados com fuzis, além da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Lula (PT) defende a revogação do teto de gastos e a revisão do regime fiscal, além de nova legislação trabalhista voltada à proteção social de diferentes formas de ocupação.

Hertz Dias (PSTU) propõe o fim da escala 6×1 com redução da jornada para 36 horas semanais sem redução salarial, e a expropriação sob controle estatal de empresas como Petrobras, Vale e JBS. Edmilson Costa (PCB) defende a convocação de uma Assembleia Constituinte em dois anos e a extinção do Senado. Clariana Barão propõe uma rede nacional de proteção à violência familiar e o monitoramento de fronteiras por sensores e drones. Rui Costa Pimenta fixa a defesa de um salário mínimo vital de R$ 7.500 e a dissolução da Polícia Militar.

Comentários

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *