Produção do setor caiu 0,9% no sexto mês do ano e acumula retração de 0,3% no semestre, segundo a FGV Agro; insumos agropecuários e produtos têxteis puxaram o resultado negativo

A produção da agroindústria brasileira registrou queda de 0,9% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Com o resultado, o setor fechou o primeiro semestre acumulando retração de 0,3%, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial, elaborado pela divisão de estudos agropecuários da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).
Produtos não alimentícios puxam a queda
O resultado negativo de junho foi impulsionado pelo segmento de produtos não alimentícios, cuja produção recuou 2,1% na comparação anual. O principal responsável pelo desempenho fraco foi a fabricação de insumos agropecuários, que despencou 12,1%. A produção de têxteis também contribuiu para a retração, com queda de 3,7%.
Alimentos e bebidas seguram parte do resultado
Em contrapartida, o segmento de produtos alimentícios e bebidas teve desempenho praticamente estável em junho, com leve alta de 0,1% na comparação anual — resultado acima da média geral do setor, que ajudou a conter uma queda ainda maior da agroindústria como um todo.
Dentro desse segmento, a produção de alimentos de origem animal avançou 3,3%, e a fabricação de bebidas cresceu 3%. Esses números compensaram parcialmente a retração de 6,1% registrada nos alimentos de origem vegetal.
No acumulado do primeiro semestre, produtos alimentícios e bebidas somaram crescimento de 1,1%, enquanto os produtos não alimentícios registraram queda de 2% no mesmo período. Apesar do saldo positivo, a FGV Agro alerta para uma perda de ritmo no segmento de alimentos e bebidas: dados com ajuste sazonal mostram oscilações mensais e desaceleração contínua desde março.
Cenário externo preocupa para o segundo semestre
Segundo a FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar um cenário mais desafiador na segunda metade do ano. Um dos principais fatores de preocupação é o esgotamento da cota chinesa para a carne bovina brasileira — a China é um dos principais mercados compradores do produto, e a redução do espaço disponível para exportações pode afetar diretamente a produção das indústrias ligadas ao setor.
Outro ponto de atenção é a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, restrição que aumenta a pressão sobre o segmento de alimentos e bebidas e pode limitar o desempenho da agroindústria nos próximos meses.
Mesmo diante das dificuldades, a FGV Agro avalia que ainda é possível reverter a retração acumulada no primeiro semestre e encerrar 2026 com crescimento. O resultado do período também acompanha a desaceleração mais ampla da economia brasileira e as turbulências no cenário externo, fatores que, segundo a fundação, contribuíram para a perda de dinamismo do setor no início do ano.