Endividamento das famílias brasileiras atinge 82% em julho, maior nível da série histórica

Endividamento das famílias atinge maior nível da série histórica, aponta  CNC - Folha PE

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em julho, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2010. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada nesta quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e ficou bem acima dos 78,5% registrados em julho de 2025. É o sexto recorde do indicador em 12 meses.

O porcentual corresponde às famílias que declararam ter dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestações de carro ou casa. Apesar do avanço do endividamento geral, a proporção de famílias que se consideram muito endividadas recuou levemente, de 17,2% em junho para 17,1% em julho, enquanto as que se dizem pouco endividadas subiram de 34,2% para 35%.

Inadimplência recua, mas comprometimento de renda piora

O percentual de famílias com contas em atraso caiu de 29,9% em junho para 29,8% em julho. O tempo médio de atraso nos pagamentos também recuou pelo terceiro mês seguido, chegando a 64,6 dias — o menor nível desde dezembro de 2025. A fatia de famílias com pendências superiores a 90 dias também diminuiu, para 48,5%.

Por outro lado, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas piorou. A proporção de consumidores que destinam mais da metade dos rendimentos mensais para quitar dívidas subiu para 19%, o maior nível desde março. Em média, as famílias endividadas comprometem 29,5% da renda mensal para pagar seus credores.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avaliou que a queda da taxa Selic deve ajudar a aliviar essa pressão. Segundo ele, a redução dos juros básicos tende a contribuir para baratear novas operações de crédito e facilitar a renegociação de dívidas já existentes.

Famílias de baixa renda concentram maior endividamento

A pesquisa também traz um recorte por faixa de renda, que expõe desigualdades relevantes. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento chega a 84,9% — a maior taxa entre todos os grupos. Esse mesmo grupo também lidera a inadimplência, com 38,5% das famílias com contas em atraso, e 17,8% afirmam não ter condições de quitar o que devem.

Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o cenário é mais ameno: 72% estão endividadas, 15,1% têm contas em atraso e apenas 5,2% dizem não conseguir pagar suas dívidas.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que as renegociações têm ajudado os consumidores, mas defendeu a necessidade de avançar em medidas que aliviem o orçamento do trabalhador brasileiro.

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