Áudios e processo trabalhista reforçam a tese de convívio entre Lulinha e Roberta Luchsinger em Brasília

Ex-empregada doméstica processa Roberta Luchsinger e chama Lulinha de  "marido" da lobista - GP1

Uma troca de mensagens de áudio entre a lobista Roberta Luchsinger e sua ex-empregada doméstica, Zildeni Gomes de Souza, trouxe novos elementos sobre a rotina do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na casa que Roberta mantinha no Lago Sul, em Brasília. As mensagens foram anexadas pelo advogado de Zildeni, Evandro Inácio Kuwabara, a um dos processos que ela move contra a ex-patroa.

Em um dos áudios, Roberta avisa a funcionária sobre a chegada de Lulinha à residência, localizada na QI 26, e orienta a preparação do quarto até então usado pelas crianças da casa, que deveria ser arrumado para receber “os adultos” — trocando a roupa de cama infantil por lençóis adultos. Em outra mensagem, ela avisa: “Fábio estará aí dia 27”, mencionando ainda um acidente que teria sofrido esquiando. Em resposta a uma das mensagens de Roberta, a própria Zildeni comenta que a casa está “muito vazia” sem a presença dela e de “teu amiguinho”.

Antes de ser ocupado por Roberta, o mesmo imóvel já havia sido usado pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Em dezembro, a lobista foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes na chamada “farra do INSS”. Na madrugada seguinte à ação, ela publicou uma foto tirada na própria casa da QI 26.

Atualmente, Lulinha é investigado em três inquéritos distintos no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura possível tráfico de influência envolvendo o empresário e Roberta Luchsinger.

Empregada chama Lulinha de “marido” em outro processo

As mensagens de áudio foram juntadas a uma ação trabalhista na qual Zildeni cobra R$ 60,4 mil em direitos que afirma lhe serem devidos, hoje em tramitação na 21ª Vara do Trabalho do TRT-10. Segundo essa petição, a ex-empregada cumpria jornada de cerca de 12 horas em três noites por semana, recebendo salário mensal de R$ 3 mil.

Há ainda um segundo processo, também movido por Zildeni contra Roberta, motivado pela promessa não cumprida da lobista de comprar uma casa para a ex-funcionária no Itapoã, bairro popular de Brasília. Nessa ação — iniciada em julho na Justiça comum do Distrito Federal e depois remetida à Justiça do Trabalho, também no TRT-10 — a defesa de Zildeni chega a se referir a Lulinha como “marido” de Roberta Luchsinger, afirmando que os dois formavam um “casal”. Um trecho da petição diz que, “no curso das tratativas, sobreveio situação envolvendo o marido da ré, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido publicamente como ‘Lulinha’, fato que culminou na saída do casal do país”.

A petição inicial da ação também destaca a relação de confiança construída ao longo dos anos entre patroa e empregada, argumento usado para reforçar a credibilidade das negociações sobre a compra do imóvel. Zildeni pede indenização de R$ 15 mil por danos materiais e R$ 40 mil por danos morais, somando causa total de R$ 345 mil.

A reportagem já havia mostrado que a casa da QI 26 funcionava como uma espécie de “QG” de Lulinha em Brasília, e que Roberta Luchsinger mantinha relação de grande proximidade tanto com o empresário quanto com a mulher dele, Renata Abreu Moreira — a ponto de as duas terem feito, em março de 2024, uma tatuagem com as iniciais “BFF” (“best friends forever”, ou “melhores amigas para sempre”).

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