
O rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial já consolida a formação de um Super El Niño em 2026. Segundo análises do The Weather Channel, o fenômeno caminha para ser o mais intenso dos últimos anos e já impacta diretamente o clima global, criando um efeito de “gangorra” na temporada de furacões.
De acordo com o meteorologista Jonathan Erdman, enquanto o Super El Niño reduz a formação de tempestades no Oceano Atlântico, impulsiona a ocorrência de ciclones severos no Oceano Pacífico.

Como a força do Super El Niño impacta o mundo
O El Niño é um evento climático cíclico caracterizado pelo aquecimento das águas no centro e leste do Oceano Pacífico. A temporada atual, no entanto, ultrapassou a marca de 2°C acima da média histórica — limite térmico que classifica o evento como um Super El Niño.
Além de interferir na atividade ciclônica, a energia térmica liberada na atmosfera pelo fenômeno altera padrões meteorológicos em escala global. Historicamente, eventos dessa magnitude estão associados a invernos mais chuvosos no sul dos Estados Unidos e a períodos de seca severa em regiões como Austrália e Indonésia.
Efeito gangorra: calmaria no Atlântico, alerta no Pacífico
Segundo o The Weather Channel, o fenômeno afeta as bacias oceânicas de maneiras opostas. No Oceano Atlântico, o Super El Niño atua como um bloqueio: gera correntes de ar descendente que ressecam a atmosfera, eliminando a umidade necessária para a formação de tempestades. Paralelamente, provoca um forte cisalhamento do vento — mudança brusca na direção e na velocidade dos ventos que enfraquece os sistemas antes que ganhem força.
O especialista em furacões da emissora americana WPLG, Michael Lowry, destacou que o cisalhamento de vento registrado no Mar do Caribe em julho de 2026 foi o mais elevado desde 1979.
Em contraste, o Oceano Pacífico apresenta atividade muito acima da média, tanto na porção leste quanto na oeste. Apenas na mesma semana, a região registrou duas ocorrências de categoria 5: o furacão Genevieve e o supertufão Dolphin. O acúmulo de águas quentes eleva de forma significativa o risco para áreas costeiras, como o Havaí e destinos turísticos do Pacífico mexicano, a exemplo de Puerto Vallarta e Los Cabos.
O que esperar até o fim da temporada
Agosto marca tradicionalmente o pico de formação de furacões no Atlântico, impulsionado por águas quentes e sistemas vindos da costa da África. Contudo, devido às condições geradas pelo Super El Niño, o Centro de Previsão Climática da agência norte-americana NOAA avalia que o desenvolvimento de ciclones tropicais no Caribe e no Atlântico Central é improvável em um futuro próximo, o que também reduz estatisticamente o risco de impactos diretos sobre a costa dos Estados Unidos.
Um levantamento da empresa de meteorologia Atmospheric G2 sobre sete temporadas passadas com características semelhantes às do atual Super El Niño mostrou que nenhuma delas registrou mais de um furacão atingindo o território continental americano — na maioria dos casos, as tempestades permaneceram em mar aberto.
Apesar do cenário de menor atividade no Atlântico e no Caribe, o que pode até favorecer o turismo na região entre agosto e outubro, o The Weather Channel adverte que a preparação deve ser mantida. Uma temporada de baixa atividade não elimina o risco de desastres pontuais: em junho, a Tempestade Tropical Arthur, mesmo sem grande organização estrutural, despejou cerca de 73 centímetros de chuva na Louisiana, provocando inundações severas.