Mendonça autoriza novo inquérito contra Lulinha por tráfico de influência

Mendonça autoriza investigação contra Lulinha por tráfico de influência

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de mais um inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), suspeito dos crimes de tráfico de influência e corrupção. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF) e amplia as apurações relacionadas ao caso.

Segundo os investigadores, o objetivo é apurar se Lulinha atuou para favorecer interesses privados no processo de autorização para comercialização de canabidiol medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde. A investigação também cita possíveis contatos com servidores da pasta e integrantes do gabinete da Presidência da República.

Lulinha: possível ligação com o “Careca do INSS”

A PF suspeita que Lulinha tenha participado de tratativas em benefício da empresa World Cannabis, ligada ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraude bilionária contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O novo inquérito é separado das investigações sobre os desvios no INSS. Os investigadores concluíram que os fatos relacionados ao filho do presidente podem configurar uma apuração autônoma, embora tenham surgido durante o andamento da Operação Sem Desconto.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Lulinha afirmou ter recebido a decisão com tranquilidade e negou qualquer irregularidade. Segundo os advogados, ele não recebeu pagamentos por negócios de empresários com o governo federal e não participou de negociações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal.

Em declaração recente, o presidente Lula afirmou que o filho não terá tratamento privilegiado e que deverá provar sua inocência caso as investigações avancem.

O caso Lulinha está relacionado à Operação Sem Desconto, que já resultou no indiciamento de 48 pessoas em um dos núcleos investigados e apura, desde o início do ano, uma possível relação entre o “Careca do INSS” e o filho do presidente — apuração que levou Mendonça a autorizar a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha. O ministro também reforçou recentemente a supervisão sobre as investigações ligadas ao entorno do INSS, determinando que a PF comunique previamente ao seu gabinete qualquer ato relevante da apuração, medida que já havia gerado desconforto dentro da corporação por ser interpretada como uma interferência na autonomia da polícia.

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