Após eliminação do Brasil na Copa, Gilmar Mendes defende Ancelotti e internautas lembram a relação do ministro e do filho com a CBF

Filho de ministro do STF vira 'cartola' de futebol e ganha moral na CBF

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes publicou nesta terça-feira (7 de julho) uma mensagem de apoio ao técnico Carlo Ancelotti e de homenagem a Neymar após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026. A publicação rapidamente recebeu uma nota da comunidade do X — ferramenta de checagem coletiva da plataforma — lembrando os vínculos do ministro e de seu filho Francisco Schertel Mendes com a Confederação Brasileira de Futebol.

O que Gilmar escreveu

Na publicação no X, o ministro afirmou que “encerrada nossa participação na Copa de 2026, fica a gratidão” e defendeu a continuidade de Ancelotti no comando da seleção. “A permanência de Carlo Ancelotti à frente da equipe dá solidez a esse recomeço, e a Seleção que se renova encontrará no torcedor, uma vez mais, a sua maior força”, escreveu. Em seguida, prestou homenagem a Neymar, afirmando que o atacante, “ao representar o Brasil em quatro Copas do Mundo, nos emocionou com seu talento, categoria e gols que marcaram época”.

A nota da comunidade e o que ela diz

A publicação passou a exibir uma nota da comunidade afirmando que “Gilmar Mendes não mencionou, mas ele próprio e o filho têm grande influência na CBF”. A nota compila os principais vínculos entre o ministro e a entidade que comanda o futebol brasileiro — e é exatamente esse histórico que faz a publicação de Gilmar ganhar outra dimensão política.

Os vínculos de Gilmar e do filho com a CBF

Francisco Schertel Mendes, filho do ministro, integra o Comitê Disciplinar da FIFA desde maio de 2021, por indicação da própria CBF, e foi reconduzido ao cargo em 2025. Esse órgão foi responsável pela anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante americano Folarin Balogun, depois de pedido do presidente Donald Trump durante a atual Copa do Mundo — uma decisão que gerou ampla repercussão internacional sobre a influência política nas decisões esportivas. Francisco também é diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, o IDP, fundado pelo próprio Gilmar, e foi eleito vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol.

Em agosto de 2023, o IDP e a CBF firmaram um contrato de dez anos para administrar a CBF Academy, o braço de formação da entidade. Conforme apurado, 84% da receita da iniciativa ficam com o IDP e 16% com a CBF.

Já o próprio ministro Gilmar Mendes foi relator de decisões diretamente ligadas à disputa pelo comando da CBF. Em janeiro de 2024, ele anulou o afastamento do cartola Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade, determinado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Posteriormente, homologou um acordo que manteve o dirigente no cargo. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) havia criticado as decisões na época, afirmando que a parceria entre CBF e IDP comprometia a imparcialidade do ministro: “Isso precisa ser investigado, é gravíssimo o conflito de interesses. O ministro deveria ter se declarado impedido.”

O que é o Comitê Disciplinar da FIFA e por que a presença de Francisco nele é relevante

O Comitê Disciplinar da FIFA é o órgão responsável por julgar infrações às regras do futebol internacional — desde comportamentos antiesportivos em campo até questões relativas à elegibilidade de jogadores e árbitros. Quando esse comitê anulou o cartão vermelho de Balogun, o episódio gerou debate global sobre como pressões externas — no caso, do presidente dos EUA — podem interferir em decisões técnicas esportivas. O fato de o filho de um ministro do STF brasileiro ocupar um cargo nesse mesmo comitê, por indicação da CBF, é um dos elementos que alimentam as perguntas sobre a independência tanto do futebol quanto do Judiciário.

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