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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou nesta terça-feira (7 de julho) da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR — o evento que precede a decisão final do governo Trump sobre a aplicação ou não de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para 15 de julho. Ao encerrar a audiência, o senador publicou um vídeo no X em que atacou diretamente o PT, chamando o partido de “Partido do Tarifaço”.
O que Flávio disse na audiência e depois
Durante a sessão, Flávio pediu que o governo norte-americano suspendesse a medida e defendeu uma solução negociada para as questões levantadas pela investigação comercial conduzida pelos EUA. Ao encerrar o vídeo publicado nas redes sociais, afirmou: “Vim aos Estados Unidos, mais uma vez, fazer o trabalho que o Lula e o PT, o Partido do Tarifaço, decidiram não fazer. Vim para defender as empresas brasileiras, para defender a nossa economia e o nosso PIX. No que depender de mim, não vai ter tarifa no Brasil!”
Flávio afirmou que sua atuação teve como objetivo defender as empresas brasileiras, a economia nacional e o Pix. Segundo ele, a aplicação das tarifas prejudicaria o Brasil e também consumidores e empresas norte-americanas.
A ausência do governo brasileiro como munição política
Flávio criticou a ausência de representantes do Palácio do Planalto na sessão. De acordo com ele, empresários, advogados e representantes do setor produtivo participaram da audiência para defender os interesses brasileiros, mas o governo federal não enviou integrantes para falar durante o encontro. O Itamaraty enviou apenas observadores — sem inscrição para discursar.
A diferença é politicamente calculada pela campanha do senador: enquanto o governo do país formalmente atingido pelas tarifas optou por uma postura passiva, apostando na diplomacia reservada, um pré-candidato da oposição se deslocou pessoalmente a Washington para apresentar argumentos técnicos num processo que decidirá o destino de bilhões de dólares em exportações brasileiras. A estratégia inverte a narrativa do governo, que acusa Flávio de ser o “Tariflávio” responsável pelas sobretaxas: ao discursar na audiência para pedir que as tarifas não sejam aplicadas, o senador tenta se apropriar da defesa do interesse nacional.
A defesa do Pix e a acusação final
Um dos pontos centrais da manifestação de Flávio na audiência foi a defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central que os EUA incluíram entre as práticas brasileiras consideradas “injustas” na investigação do USTR. O senador argumentou que o Pix é uma inovação que beneficia consumidores e empresas e não deve ser tratado como barreira comercial — uma posição que, politicamente, tem o adicional de permitir a Flávio reivindicar o legado do sistema, criado durante o governo Bolsonaro em 2020.
Ao encerrar o vídeo, Flávio afirmou que continuará defendendo os interesses brasileiros no exterior, “enquanto Lula segue defendendo os bandidos brasileiros” — uma referência direta à resistência do governo federal à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA, tema que dominou o noticiário nas semanas anteriores à audiência.