Jorginho domina SC com mais de 50%, Tarcísio domina SP com 47%, Minas está empatada e Nordeste segue petista: o mapa das disputas para governador nos dez estados mais populosos do Brasil

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A cinco meses do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, as pesquisas de intenção de voto para governador nos dez estados mais populosos do Brasil revelam um cenário heterogêneo: há casos com lideranças consolidadas, outros com disputas acirradas e alguns sem favorito claro. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Pará e Santa Catarina reúnem mais de 118 milhões de eleitores — 74,8% do eleitorado nacional —, tornando seus resultados estratégicos para o mapa político do país.

São Paulo: Tarcísio lidera com folga, Haddad distante

No maior colégio eleitoral do país, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 47,8% das intenções de voto, segundo a Paraná Pesquisas. O ex-ministro Fernando Haddad (PT) vem em segundo, com 33,1%, mas ainda distante do líder. A vantagem do atual governador reflete sua alta popularidade na administração estadual e o apoio da base bolsonarista.

Tarcísio é hoje a figura mais popularmente consolidada nas disputas estaduais do país. Sua liderança em São Paulo se traduz também em relevância nacional: o governador é o principal aliado de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, e o resultado de SP será um dos termômetros mais importantes do desempenho da direita no pleito.

Minas Gerais: campo de batalha com empate técnico

Minas Gerais surge como fiel da balança, apresentando um empate técnico, com uma ligeira vantagem numérica de 3 pontos para o atual presidente Lula nas simulações presidenciais. A situação tem se tornado mais favorável ao PT: se em 2018 a derrota foi por 16 pontos, em 2022 houve um empate de fato. Nas disputas para governador, o cenário também permanece aberto, com nomes do campo do atual governador Romeu Zema (Novo) e do PT ainda em processo de definição.

Rio de Janeiro: direita mantém vantagem

No Rio de Janeiro, a vantagem da oposição permanece estável. Os 14 a 16 pontos de frente de Flávio Bolsonaro nas simulações presidenciais repetem o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. Na disputa para governador, os nomes ainda não estão definitivamente consolidados, mas o estado segue num campo favorável à direita.

Paraná: reduto sólido da oposição

O Paraná apresenta saldo negativo para Lula, com a desaprovação chegando a 60%. A disputa para governador no estado aponta para um favorito do campo conservador, com o atual governador Ratinho Junior (PSD) mantendo alta aprovação popular e sendo considerado forte candidato à reeleição.

Rio Grande do Sul: oposição avança

Flávio Bolsonaro venceria com folga no Rio Grande do Sul (+26 pontos) em simulação de segundo turno presidencial. O estado gaúcho, que ainda se recupera das enchentes históricas de 2024, tem na disputa para governador um candidato do campo conservador em posição favorável.

Bahia, Pernambuco e Ceará: redutos petistas que se mantêm

Lula abre vantagem considerável justamente onde sua aprovação é sólida: o saldo é positivo nos estados do Nordeste, com destaque para Pernambuco (+29), Bahia (+27) e Ceará (+23). Nas três disputas estaduais, os candidatos alinhados ao PT ou às suas coligações partem com vantagem significativa. Na Bahia, 71% das intenções presidenciais vão para Lula, embora a vantagem venha oscilando levemente para baixo ao longo dos últimos ciclos, refletindo uma base sólida mas não inteiramente estável. No Ceará, a tendência de queda do PT é mais nítida — a dianteira, que já foi de 42 pontos em 2018, agora está em 34 pontos.

Pará: Nordeste do Norte

O Pará é o único estado da Região Norte no grupo dos dez mais populosos. Lula mantém uma liderança de 7 pontos no estado, que apresenta saldo positivo de aprovação de +4 pontos. A disputa para governador segue padrão semelhante ao dos estados nordestinos.

Santa Catarina: oposição consolidada no estado mais seguro do Brasil

Santa Catarina é o décimo estado mais populoso do Brasil e um dos mais hostis ao PT no país. O governador Jorginho Mello (PL), aliado declarado de Flávio Bolsonaro, entra em posição favorável para a reeleição, num estado onde Jair Bolsonaro obteve mais de 70% dos votos em 2022 e onde o debate político desta semana foi dominado pelas declarações polêmicas de Lula durante visita a Itajaí — comparando catarinenses ao nazismo e gerando uma representação à PGR movida pelo próprio governo estadual.

O quadro geral: direita com disputas mais controladas

Do ponto de vista dos campos políticos, nenhum lado se sobressai como um todo. A direita, entretanto, tem disputas mais controladas no momento. A esquerda, por sua vez, mesmo à frente em alguns estados, vem encontrando mais dificuldade para abrir vantagem e consolidar nomes nos embates. São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, por exemplo, estão tendendo para a direita, assim como o Paraná. O cenário confirma o que as pesquisas presidenciais também indicam: o Brasil está dividido geograficamente entre um Sul e Sudeste inclinados para a oposição e um Nordeste e Pará que permanecem como base sólida do campo governista — com Minas Gerais funcionando, como de costume, como o grande campo de batalha que pode definir a eleição.

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