
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nesta terça-feira (23 de junho) um artigo do site norte-americano Newsmax que trata das eleições presidenciais brasileiras. Na publicação divulgada na rede Truth Social, o texto afirma que as atenções agora se voltam para o Brasil, descrito como “a potência política da região”. O artigo destaca que a próxima disputa pelo Palácio do Planalto poderá se tornar a eleição mais importante do hemisfério.

O que diz o artigo compartilhado por Trump
Segundo a análise reproduzida por Trump, ainda restariam quatro grandes desafios para o republicano nas Américas: Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil.
A inclusão do Brasil numa lista que reúne três regimes autoritários consolidados — Cuba (comunismo desde 1959), Nicarágua (Ortega no poder) e Venezuela (Maduro) — é politicamente explosiva. Ela implica que o governo Trump enquadra o Brasil de Lula não como uma democracia aliada em divergência, mas como um obstáculo geopolítico da mesma natureza que os regimes que os EUA há décadas tentam remover ou isolar na região.
“O pleito já está gerando intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”, afirma um trecho do texto. A publicação também afirma que uma eventual guinada política do Brasil teria impacto em toda a região. “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente”, diz o artigo. “Caso o Brasil venha a se juntar à crescente lista de países que se movem para a direita, o mapa político da América Latina será drasticamente diferente do que era há apenas uma década.”
O que é o Newsmax e por que o veículo importa nesse contexto
O Newsmax é um canal de notícias americano alinhado ao campo conservador e ao trumpismo, com audiência expressiva entre a base eleitoral republicana. Não é um veículo neutro de jornalismo — é declaradamente favorável a Trump e ao campo da direita americana. Quando Trump compartilha um artigo do Newsmax em sua rede Truth Social, ele não está apenas divulgando informação: está sinalando para sua base que o tema abordado é de interesse e aprovação do presidente, funcionando como um endosso implícito às teses do texto. No contexto da eleição brasileira, compartilhar um artigo que descreve o Brasil como “próximo desafio” é uma forma de o presidente americano sinalizar — sem precisar afirmar diretamente — que torce por uma mudança no resultado eleitoral brasileiro.
Trump sobre Lula: “muito volátil” e “não penso nele”
Trump já se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, ambos classificaram o encontro como “muito produtivo” em manifestações divulgadas nas redes sociais. “Não sou fã dele, nem desgosto dele”, disse Trump, em relação a Lula, na semana passada. “Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora é um tipo de pessoa diferente. Muito volátil. Eu vi como ele fez um discurso. Foi muito volátil, e tudo bem.” Trump também afirmou que o Brasil se tornou “um pouco difícil” e “politicamente perigoso”.
A sequência de declarações de Trump sobre Lula ao longo da semana forma um padrão de desqualificação progressiva: do “não penso nele” — que demonstra indiferença deliberada — ao “muito volátil” e ao “politicamente perigoso”. Essas declarações, combinadas com o compartilhamento do artigo do Newsmax, compõem um quadro em que o presidente americano sinaliza sua torcida pela mudança no poder no Brasil sem precisar declarar explicitamente apoio a Flávio Bolsonaro.
A condenação de Eduardo Bolsonaro
O presidente norte-americano ainda criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal que condenou à prisão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A crítica de Trump à condenação de Eduardo — que o Departamento de Estado havia chamado de “perseguição” e “lawfare” num comunicado formal dias antes — reforça o padrão de o governo americano tratar as decisões do Judiciário brasileiro como atos políticos de repressão à oposição, e não como exercício legítimo da Justiça num Estado democrático de direito.