Inverno aquece o comércio catarinense: lojas de vestuário registram alta de 15% e setor projeta crescimento de 6,2% na temporada

Atelier Solidário reforça corrente do bem durante o inverno catarinense –  Record

O início da estação mais fria do ano, que começou oficialmente no último domingo (21), já começou a impulsionar o comércio em diferentes regiões de Santa Catarina nesta semana. A queda das temperaturas tem criado um cenário positivo para as vendas, especialmente no setor de vestuário.

O consumidor que saiu às compras

O comerciante Ricardo Paixão, que saiu de Goiás para ajudar na mudança da filha em Florianópolis, precisou ir às compras para aguentar a mudança de temperatura. “Lá estava muito quente e aqui está frio demais, então viemos comprar roupa de frio. Pretendo levar blusa, cachecol, touca, luva, vou levar o que tiver”, afirmou.

A experiência de Ricardo é representativa de um fenômeno recorrente em Santa Catarina no início do inverno: visitantes e recém-chegados — especialmente do Centro-Oeste, do Nordeste e do Norte do país, onde as temperaturas permanecem elevadas — chegam ao estado despreparados para o frio catarinense e precisam se equipar com urgência. Florianópolis, como capital e polo de serviços, concentra boa parte dessas compras de emergência.

A projeção da Fecomércio: 6,2% de crescimento

A estimativa da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) de Santa Catarina para a estação outono/inverno foi de um crescimento de 6,2% nas vendas do varejo.

A Fecomércio é a entidade que representa o setor de comércio, serviços e turismo em Santa Catarina. Suas projeções de crescimento são calculadas com base na combinação de fatores sazonais — como a chegada do frio e a demanda previsível por determinadas categorias de produtos — e de indicadores econômicos mais amplos, como emprego, renda e confiança do consumidor. Uma projeção de 6,2% é considerada robusta para o varejo, especialmente num cenário em que o Brasil ainda convive com inadimplência em níveis históricos e com juros elevados que encarecem o crédito ao consumidor.

Vendas em alta nas lojas do Centro de Florianópolis

Uma loja localizada no Centro de Florianópolis começou a vender artigos de frio desde o outono e já aumentou as vendas em 15%. A expectativa é de aumentar ainda mais com a queda das temperaturas. “Os clientes estão cada vez mais procurando toucas, pantufas, cachecóis. Agora nessa reta final do mês de junho, nós esperamos ainda dar uma virada boa nessas vendas”, disse Daniel Guilherme, gerente do estabelecimento.

A alta de 15% registrada por essa loja específica, somada à expectativa de aceleração até o fim de junho, reflete uma tendência observada em toda a rede varejista de vestuário de inverno: o pico das vendas costuma ocorrer exatamente nas semanas que se seguem à chegada oficial do frio intenso — quando as temperaturas noturnas e matinais caem de forma mais acentuada e o consumidor que havia adiado a compra é forçado a agir.

O mercado de eletrodomésticos: aquecedores e secadoras disparam

Além dos itens de vestuário, a procura por aquecedores e secadoras de roupa apresenta um aumento expressivo nessa época do ano. Em 2024, o Grupo Berlanda, maior varejista de SC, apontou que a venda de aquecedores aumentou 63% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma época, as vendas de fogões à lenha cresceram 6%, enquanto as secadoras registraram um aumento significativo de 62%.

Os dados do Grupo Berlanda revelam um comportamento de consumo peculiar do inverno catarinense: a demanda não se limita ao vestuário, mas se estende para eletrodomésticos que modificam a rotina doméstica. Aquecedores e secadoras de roupa são os produtos mais procurados porque respondem a dois problemas práticos do inverno frio e úmido de Santa Catarina: o desconforto térmico dentro de casa — que leva famílias a buscar aquecimento elétrico, especialmente em residências sem sistema de aquecimento central — e a dificuldade de secar roupas ao ar livre quando o sol aparece pouco e a umidade é alta.

Por que o inverno é a temporada mais importante para o varejo catarinense

Santa Catarina ocupa uma posição singular no calendário climático brasileiro: é um dos poucos estados onde o inverno é genuinamente frio e, portanto, um estímulo real de consumo. Em estados tropicais, a sazonalidade climática tem impacto menor nas vendas de vestuário e eletrodomésticos de aquecimento — as variações de temperatura são insuficientes para criar a urgência de consumo que o inverno catarinense gera. Para o varejo local, isso significa que a temporada de inverno é uma das mais aguardadas do ano, capaz de compensar meses de menor movimento — especialmente para setores como moda de inverno, aquecedores, cobertores, calçados fechados e alimentos que aquecem, como fondue e vinho.

O contexto desta temporada é especialmente favorável: o inverno de 2026 começou com um episódio intenso de frio logo na primeira semana — com mínimas de -5°C na Serra previstas para esta semana, risco de neve, geadas generalizadas e ventos frios no litoral —, o que tende a antecipar e concentrar as compras de emergência, ampliando o impacto positivo sobre o faturamento do varejo catarinense nas próximas semanas.

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