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O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom das críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal em discurso nesta segunda-feira (22) no evento “A indústria na agenda dos presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Em suas declarações mais duras, comparou os danos causados pelo governo Lula a um conflito armado. “O governo Lula faz mais mal ao país do que uma guerra entre Rússia e Ucrânia”, afirmou o senador.

O ataque à política econômica de Lula e a comparação com Bolsonaro
Ao comparar o governo Lula com o do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio argumentou que a gestão conservadora manteve responsabilidade fiscal mesmo durante a pandemia, a crise hídrica e a deflagração da guerra na Ucrânia, sem ampliar a arrecadação. “O governo do presidente Bolsonaro perseguia de forma incessante a redução da carga tributária”, ressaltou. Segundo o senador, o governo atual provoca mais prejuízos à economia do que qualquer crise externa.
As estatais no centro das críticas
Ao encerrar seu discurso, Flávio mirou especificamente nas empresas públicas federais, retomando o tema das pesadas perdas financeiras das estatais em 2026. “As estatais voltaram a dar prejuízos históricos”, disse. “São recursos que vão ter que sair de algum lugar do orçamento para compensar essa má gestão. Mais uma vez vemos problemas em fundos de pensão e em estatais. Tudo isso não acontecia no governo do presidente Bolsonaro.”
A referência é direta: os Correios encerraram o primeiro trimestre de 2026 com déficit de R$ 3,1 bilhões — quase o dobro do mesmo período de 2025 — e o TCU apontou risco de colapso, exigindo aporte obrigatório de R$ 6 bilhões; a Casa da Moeda registrou déficit operacional de R$ 78 milhões, sustentada apenas por rendimentos financeiros.
O ambiente hostil de negócios e a insegurança jurídica
Flávio também relatou conversas com empresários e investidores nos Estados Unidos — reflexo direto de sua visita à Casa Branca em maio, quando se reuniu com Trump, Vance e Rubio. “Hoje existe um ambiente hostil de negócios no Brasil”, afirmou. “Todos, sem exceção, falaram sobre insegurança jurídica.”
O senador argumentou que decisões judiciais têm gerado instabilidade econômica e afastado investimentos do Brasil, num quadro que, segundo ele, coloca o país em desvantagem competitiva frente a outras economias emergentes que disputam os mesmos investidores.
O ataque ao STF: “mais parece uma delegacia de polícia”
A parte mais incisiva do discurso foi direcionada ao Supremo Tribunal Federal. Flávio criticou decisões envolvendo questões tributárias, econômicas e eleitorais para sustentar que a Corte estaria ultrapassando suas atribuições constitucionais. “É inaceitável que continuemos sendo submetidos à canetada de um ministro do Supremo que pode desfazer uma decisão do Congresso Nacional”, declarou, citando o embate recente em torno do aumento do IOF — quando um ministro suspendeu individualmente uma medida aprovada pelo Executivo que, segundo parlamentares, teria impacto sobre o mercado.
“O Supremo hoje parece mais uma delegacia de polícia do que uma Corte Constitucional”, disse. “Há ministros querendo interferir no processo eleitoral e escolher quem pode ser candidato e quem não pode.”
A declaração é uma referência direta à atuação do ministro Alexandre de Moraes, responsável por decisões que afetaram diretamente candidatos e figuras políticas do campo bolsonarista, incluindo a condenação do próprio pai de Flávio, Jair Bolsonaro, e de seu irmão Eduardo Bolsonaro — condenado dias antes a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.
A certeza proclamada: “Lula não será mais presidente”
O senador encerrou seu discurso com uma declaração de confiança na vitória em outubro. “A única certeza que tenho é que Lula não será mais presidente da República. Vamos vencer a eleição”, afirmou.