Defesa Civil não descarta neve na Serra catarinense nesta semana — termômetros podem chegar a -8°C no Planalto Sul

SC tem frio intenso e risco de temporais nesta quarta-feira | G1

Uma intensa massa de ar polar avança sobre o Sul do Brasil neste início de inverno e pode levar os termômetros a -8°C nas áreas mais altas da Serra catarinense entre quarta e quinta-feira. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina não descarta a ocorrência de precipitação invernal — chuva congelada, chuva congelante ou até flocos de neve — nas áreas mais elevadas do Planalto Sul ainda nesta semana.

A janela de possibilidade para a neve: ainda na noite desta segunda

A Defesa Civil aponta que, entre o fim da noite desta segunda-feira (22) e a madrugada de terça-feira (23), existe chance de precipitação invernal nas áreas mais elevadas do Planalto Sul. Caso o fenômeno ocorra, deverá ser bastante localizado e restrito aos pontos de maior altitude da Serra catarinense. São Joaquim, Urupema, Urubici e Bom Jardim da Serra são as cidades com maior probabilidade de registrar o fenômeno.

O que é neve e o que a diferencia da chuva congelada

A neve, a chuva congelada e a chuva congelante são fenômenos distintos, mas frequentemente confundidos. A neve ocorre quando cristais de gelo se formam dentro das nuvens em temperaturas abaixo de 0°C e chegam ao solo ainda congelados, formando os flocos brancos que cobrem paisagens e telhados. A chuva congelada ocorre quando gotas de chuva caem através de uma camada de ar abaixo de 0°C e chegam ao solo já em estado sólido ou semissólido — formando uma camada de gelo sobre as superfícies, especialmente perigosa para o trânsito porque é praticamente invisível até o momento em que o veículo perde tração. A chuva congelante é a versão intermediária: a gota chega ao solo ainda líquida, mas congela imediatamente ao entrar em contato com superfícies que já estão abaixo de 0°C. Para que neve genuína ocorra, é preciso que a temperatura seja negativa não apenas ao nível do solo, mas também nas camadas de ar acima — condição mais exigente do que a chuva congelada, o que explica por que a neve é o fenômeno mais raro e mais aguardado pelos turistas da Serra.

O dia a dia da semana mais fria do inverno

A meteorologista Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram, detalhou o que esperar ao longo da semana.

Na terça-feira (23), o tempo estará estável, com sol e mais nuvens na madrugada e manhã. Na Serra catarinense, as mínimas chegam a -2°C a -4°C no Meio-Oeste e Planalto Sul, com geada ampla confirmada. Durante o dia, as máximas não passam de 10°C a 15°C — os menores valores do ano até agora nas tardes serranas.

Quarta e quinta-feira (24 e 25) representam o pico do frio. O tempo permanece estável com nevoeiros isolados ao amanhecer e predomínio de sol durante o dia, mas as mínimas nas áreas mais altas da Serra chegam a -6°C a -8°C no Planalto Sul, com geada ampla em toda a região serrana. As máximas não passam de 17°C ao longo do dia.

Na sexta-feira (26), o frio segue, mas perde um pouco de intensidade. Mínimas entre -1°C e 4°C nas áreas altas da Serra, ainda com geada no Planalto Sul e Meio-Oeste. Máximas abaixo de 20°C.

A persistência dessas condições ao longo da semana caracteriza oficialmente uma onda de frio — não apenas um episódio pontual de temperatura baixa, mas uma sequência sustentada de dias com mínimas negativas e máximas que não chegam à casa dos 20°C. Terça e quarta-feira devem ser os dias mais intensos, com a Serra catarinense registrando os amanheceres mais frios do ano.

Por que a Serra catarinense é o único lugar para ver esses fenômenos no Brasil

A Serra catarinense é o único lugar do Brasil onde fenômenos como neve, geada, sincelo e chuva congelada ocorrem com regularidade no inverno. Cidades como São Joaquim, Urupema, Urubici e Bom Jardim da Serra concentram os registros mais baixos de temperatura do país — Bom Jardim da Serra havia registrado -6,7°C na semana anterior, a menor temperatura do ano no Brasil —, e são os destinos certos para quem quer viver o inverno de verdade. A altitude elevada desses municípios — São Joaquim fica a mais de 1.350 metros acima do nível do mar —, combinada com a localização no Planalto Sul e a exposição direta às massas de ar polar que avançam do sul do continente, cria as condições únicas que fazem da Serra catarinense o “polo de frio” do Brasil.

A primeira onda de frio do inverno de 2026 chega logo na primeira semana da estação, que começou oficialmente no domingo (21) com o solstício de inverno — a noite mais longa do ano. Com a confirmação oficial do El Niño pela NOAA, que aponta 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte com pico entre novembro e janeiro, os meteorologistas alertam que este primeiro episódio intenso de frio é um indicativo de que o inverno de 2026 pode ser especialmente ativo em eventos climáticos extremos na Serra catarinense. Quando a neve é anunciada, as pousadas da região esgotam em horas — e o momento, segundo a Defesa Civil, pode ser agora.

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