
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, subiu o tom neste sábado (20 de junho) e concentrou seu discurso na segurança pública e no enfrentamento do crime organizado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro participou do ato político de lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, em Guarulhos.

A acusação contra Lula e a promessa de radicalização
Em sua fala, Flávio criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo o parlamentar, “vai lá fora fazer lobby a favor do Comando Vermelho e do PCC”.
“Não vamos nos acostumar a viver com medo”, disse Flávio. “Nós lançamos o programa Brasil sem Medo porque quem tem de ter medo é vagabundo.” Em seu discurso, o senador prometeu “abrir mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário para prender traficantes, narcoterroristas do Comando Vermelho, do PCC, de milícias e também o ladrão de celular”. “Vou ser radical na segurança pública”, prosseguiu o senador. “Vamos virar a página e teremos um governo para tratar PCC e CV como terroristas”, completou.
A classificação americana das facções
A promessa de Flávio de “tratar PCC e CV como terroristas” se conecta diretamente à sua própria articulação política das semanas anteriores: foi o senador quem pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump, durante visita à Casa Branca em maio, que os Estados Unidos classificassem as duas facções brasileiras como organizações terroristas — pedido atendido em menos de 48 horas e que entrou em vigor em 5 de junho. Ao prometer agora replicar essa classificação dentro do próprio governo brasileiro, caso eleito, Flávio tenta transformar uma conquista de política externa em uma promessa de política doméstica de segurança pública.
A meta de 500 mil novas vagas no sistema penitenciário é uma cifra expressiva mesmo para os padrões do sistema prisional brasileiro — um dos maiores do mundo em população carcerária —, e revela a magnitude do programa de expansão prisional que o senador promete caso seja eleito em outubro.
Lulinha e a “máfia do INSS”
Durante sua fala, que durou cerca de 20 minutos, Flávio Bolsonaro disse que Lula é condescendente com o crime. O pré-candidato também mencionou o escândalo da chamada “máfia do INSS”, que atingiu o atual governo e teria envolvido, inclusive, familiares do presidente da República. Flávio mencionou Frei Chico, irmão de Lula e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do líder petista, que teria ligação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
“O filho do Lula sumiu do Brasil, ele recebeu mesada do Careca do INSS. O dinheiro do aposentado brasileiro pode estar na conta dele lá na Europa”, afirmou Flávio — uma acusação direta e grave, apresentada sem citação de provas concretas no discurso, que reflete a estratégia da campanha de associar o entorno familiar de Lula ao escândalo do INSS, da mesma forma que o governo tenta associar Flávio ao escândalo do Banco Master.
Imagens de Bolsonaro geradas por IA
Durante o evento de lançamento da pré-candidatura de André do Prado ao Senado, foram exibidas imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro elaboradas por inteligência artificial. O ex-mandatário cumpre pena de prisão em regime domiciliar em Brasília, depois de ter sido condenado pelo STF por suposta tentativa de golpe de Estado.
O uso de imagens geradas por IA representando o ex-presidente — que não pôde comparecer fisicamente ao evento devido à prisão domiciliar e ao quadro de saúde debilitado — é uma estratégia que tenta manter viva a presença simbólica de Bolsonaro nos palanques de campanha, mesmo com as limitações impostas por sua condição jurídica e médica.