
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em fotos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na abertura da Cúpula do G7, nesta terça-feira, em Évian-les-Bains, na França. É a décima vez que o petista é convidado para o encontro que reúne líderes das maiores economias. Trump e Lula posaram, com outros líderes mundiais, no chamado “retrato da família”.

O que é o G7 e quem participou da cúpula
O G7 é o grupo das sete nações mais ricas do mundo — Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão —, que se reúne anualmente para discutir os principais temas da economia e da geopolítica global. Os líderes do G7 se reuniram em um resort à beira de um lago na cidade de Évian-les-Bains, na França, entre os dias 15 e 17 de junho de 2026. Embora o Brasil não seja membro do grupo, o país é tradicionalmente convidado como nação observadora, dado seu peso econômico e geopolítico — esta é a décima vez que Lula participa do encontro.
Além de Lula e Trump, estavam presentes a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, entre outros.
A pauta da cúpula
Discutir os próximos passos em relação ao Irã foi um dos temas centrais que os líderes globais abordaram durante a cúpula — na sequência direta do acordo de paz anunciado por Trump entre Estados Unidos e Irã, com cerimônia de assinatura prevista para a mesma semana na Suíça. O encontro também buscou consenso sobre a guerra na Ucrânia, o combate aos desequilíbrios econômicos globais e a obtenção de minerais essenciais fora da China, fornecedora dominante desses recursos. O tema dos minerais críticos é especialmente relevante para o Brasil, que vem se posicionando — inclusive por meio do senador Flávio Bolsonaro em sua visita a Washington — como alternativa de fornecimento de terras raras ao mundo ocidental, na disputa geopolítica com a China.
O pano de fundo: a disputa tarifária entre Brasil e EUA
O encontro ocorre num momento de forte tensão comercial entre os dois países. O petista quer discutir as tarifas propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Dias antes da cúpula, Lula havia dito querer se reunir com Trump para tratar do tema, declarando durante reunião ministerial que pretende enviar uma carta ao presidente norte-americano e que o Brasil “não pode aceitar” o tratamento dispensado pelos Estados Unidos.
A tensão remonta à recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros — medida que cita o Pix, a propriedade intelectual, o etanol, o desmatamento e até decisões do ministro Dias Toffoli sobre a Lava Jato como justificativas. A proposta gerou uma disputa pública entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que enviou carta própria ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que as tarifas não fossem aplicadas — e que o presidente acusou de ter contribuído para o agravamento da crise comercial.
Um encontro bilateral ainda incerto
O formato de um eventual encontro bilateral entre os dois presidentes ainda era discutido dentro do governo brasileiro antes da cúpula. Não havia confirmação de telefonema entre os presidentes nem de reunião bilateral específica durante o evento. Até o momento, o que se confirmou publicamente foi a presença conjunta na fotografia oficial de abertura — um protocolo padrão de cúpulas internacionais que reúne todos os líderes presentes, mas que não substitui uma reunião bilateral formal com agenda específica sobre as tarifas.
O que está em jogo
Esse seria o primeiro encontro entre Lula e Trump desde que o governo americano propôs as novas tarifas sobre produtos brasileiros — depois de um histórico de tensões que já incluiu tarifas de 50% e 40% aplicadas em 2025, vinculadas pelo próprio Trump ao julgamento de Jair Bolsonaro no Brasil. Para Lula, qualquer interação direta com Trump em Évian-les-Bains — mesmo que limitada a um aperto de mão ou uma palavra rápida à margem da cúpula — seria politicamente significativa, num momento em que o governo brasileiro busca evitar que as tarifas de 25% se concretizem antes da audiência pública marcada para 6 de julho. A ausência de uma reunião bilateral formal, por ora, mantém a incerteza sobre se o encontro presencial dos dois líderes na cúpula do G7 vai além do protocolo fotográfico e produz algum avanço concreto nas negociações comerciais entre os dois países.