EUA sancionam estatal de petróleo de Cuba e ampliam pressão sobre o regime de Díaz-Canel

Cuba suspende fornecimento de combustível a aeroportos

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (11 de junho) sanções contra a estatal cubana Unión Cuba-Petróleo, a Cupet, principal empresa do setor de petróleo e combustíveis da ilha. A medida foi divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e faz parte da estratégia do governo Donald Trump para ampliar a pressão sobre o regime de Cuba. As sanções congelam eventuais ativos da empresa sob jurisdição norte-americana e proíbem, de forma geral, que cidadãos e empresas dos EUA realizem negócios com a companhia. A Cupet controla a extração de petróleo em Cuba, além das atividades de refino e distribuição de combustíveis no país.

O que é a Cupet e por que ela é o alvo central

A Unión Cuba-Petróleo é o monopólio estatal que gerencia toda a cadeia do petróleo em Cuba — da exploração dos campos terrestres ao refino nas refinarias de Cienfuegos e Santiago de Cuba, passando pela distribuição de combustíveis para postos, usinas termelétricas, veículos militares e a população. Ela não é apenas uma empresa energética — é o sistema nervoso da economia cubana, já que praticamente toda atividade industrial, de transporte e de geração de energia elétrica da ilha depende dos combustíveis que a Cupet distribui. Ao sancionar a estatal, os EUA miram diretamente o coração logístico do Estado cubano, tornando ainda mais difícil para o governo de Díaz-Canel obter petróleo no mercado internacional e processar os carregamentos que chegam à ilha.

A escalada das sanções: uma semana de ações em série

A decisão ocorre uma semana depois de Washington impor sanções ao ditador cubano, Miguel Díaz-Canel, e a outras autoridades ligadas ao governo comunista da ilha caribenha.

A sequência é reveladora da estratégia americana: primeiro sancionar as lideranças políticas do regime pessoalmente — bloqueando ativos, revogando vistos e impossibilitando transações financeiras —, e em seguida atacar as estruturas econômicas que sustentam o poder. Sancionar Díaz-Canel e sancionar a Cupet são movimentos complementares: o primeiro afeta os indivíduos, o segundo afeta a instituição que financia o Estado.

Neste ano, os EUA declararam emergência nacional relacionada a Cuba e passaram a impor restrições e tarifas contra países que fornecem petróleo à ilha. O governo norte-americano sustenta que as medidas buscam enfraquecer o regime comunista.

O que disse Rubio: energia como ferramenta de controle

O secretário de Estado Marco Rubio explicou a lógica política das sanções em comunicado divulgado nas redes sociais. Segundo ele, a liderança comunista cubana transformou a energia em uma ferramenta de controle social e de lucro para a elite do regime — direcionando os recursos energéticos disponíveis para as estruturas de segurança e repressão enquanto a população comum enfrenta escassez crônica de combustível e apagões que chegam a durar mais de 20 horas por dia.

O argumento americano é que a Cupet não distribui energia de forma igualitária entre a população: ela prioriza os aparatos do Estado — polícia, forças militares, organismos de inteligência — e penaliza os cubanos comuns. Sancionar a estatal é, na narrativa de Washington, uma forma de pressionar o regime a mudar esse comportamento — ou de privá-lo dos recursos que sustentam a estrutura repressiva.

A crise energética que torna o momento especialmente crítico

A medida ocorre em meio à pior crise energética enfrentada por Cuba em décadas. O país registra interrupções frequentes no fornecimento de eletricidade e dificuldades para garantir combustível às usinas termelétricas.

Cuba atravessa uma crise de geração de energia sem precedentes desde o Período Especial dos anos 1990, quando o colapso da União Soviética cortou o abastecimento de petróleo subsidiado que sustentava a economia da ilha. Hoje, a situação é agravada por uma combinação de fatores: usinas termelétricas obsoletas e mal mantidas que quebram com frequência, queda nas exportações de petróleo venezuelano — antes o principal fornecedor externo de Cuba —, dificuldade de acesso ao mercado internacional de combustíveis por causa das sanções existentes, e falta de divisas para importar o que é necessário. As sanções à Cupet, ao tornarem ainda mais difícil a obtenção de petróleo no exterior, têm o potencial de aprofundar dramaticamente essa crise — com consequências diretas sobre a população, que já vive com racionamento de luz, escassez de combustível para transporte e interrupções no fornecimento de água que depende de bombas elétricas.

O que são sanções do Tesouro americano e como elas funcionam

As sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos — especificamente as emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o OFAC — funcionam como uma interdição do sistema financeiro global. Quando uma entidade é sancionada, qualquer banco ou empresa que opere em dólares — e a esmagadora maioria dos bancos internacionais relevantes o faz — fica proibido de realizar transações com ela. Na prática, isso significa que a Cupet não pode pagar por petróleo no mercado internacional usando dólares, não pode abrir contas em bancos que operem com correspondentes americanos, e qualquer empresa que tente contornar as sanções arrisca perder o acesso ao sistema financeiro dos EUA — um custo alto demais para a maioria dos atores econômicos globais. A eficácia das sanções depende, portanto, da disposição de terceiros — especialmente China, Rússia e Venezuela — de contornar as restrições americanas fornecendo petróleo a Cuba por canais alternativos ao dólar. Esse contorno é possível, mas mais caro e mais lento do que o mercado convencional.

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