“Grande dia”: Flávio Bolsonaro comemoração da classificação do PCC e CV como terroristas e acusa governo Lula de ter feito “lobby” pelas facções

Estados Unidos decidem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações  terroristas - Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, comemorou a classificação dos grupos criminosos Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. “Grande dia”, escreveu o senador no X, compartilhando a publicação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que anunciou a decisão na noite desta quinta-feira (28 de maio).

O significado da frase “Grande dia”

A frase de Flávio é uma referência ao “grande dia” publicada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando o ex-deputado Jean Wyllys anunciou que deixaria o Brasil. A frase virou fronteira entre bolsonaristas e é usada para marcar momentos considerados vitórias políticas pelo campo da direita. Ao utilizá-la agora, Flávio sinalizou ao seu eleitorado que a classificação das facções é um resultado da mesma natureza — uma conquista do campo conservador, obtida por sua articulação direta com o governo Trump.

A sequência que levou à decisão

A velocidade com que o anúncio americano veio após a visita de Flávio a Washington é o elemento central de sua comemoração. A medida é anunciada um dia depois do encontro do senador com o secretário de Estado Marco Rubio. No total, em menos de 48 horas após suas reuniões com Trump no Salão Oval e com Rubio no Departamento de Estado, o governo americano formalizou exatamente o pedido que Flávio havia feito pessoalmente — transformando a viagem a Washington num feito político concreto e de enorme visibilidade, às vésperas de uma campanha eleitoral.

A classificação das organizações criminosas brasileiras como terroristas é uma bandeira que Flávio tem levantado há meses. O senador solicitou a medida a Trump durante o encontro que teve com o presidente americano na Casa Branca na última terça-feira (26) e voltou a discutir o assunto com Rubio no dia seguinte.

O ataque ao governo Lula

Flávio não se limitou a comemorar. Em um vídeo publicado na noite desta quinta-feira nas redes sociais, Flávio agradece ao governo dos Estados Unidos e critica a gestão petista, a quem acusa de ter feito “lobby para o CV e para o PCC” durante o encontro de Lula com Trump, que ocorreu no início de maio, em Washington. “Agradeço o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio”, disse o pré-candidato. Após o encontro de Lula com Trump, o presidente brasileiro comentou que o assunto não havia sido discutido.

A acusação de que Lula teria feito “lobby” pelas facções é grave e desprovida de evidências concretas — o governo brasileiro sempre justificou sua resistência à classificação como terroristas com argumentos de soberania nacional e temor de precedente para intervenção estrangeira, não como defesa das organizações criminosas. Mas a narrativa construída por Flávio é politicamente eficaz: ela posiciona o governo Lula como omisso — ou pior, conivente — diante do crime organizado, enquanto apresenta o campo bolsonarista como o único disposto a agir com firmeza.

A resposta do governo Lula e do Itamaraty

A medida da gestão Trump será efetivada no próximo dia 5 de junho, à revelação do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeita o enquadramento das organizações como terroristas por temer que a designação possa servir de pretexto para ações militares extraterritoriais dos americanos. O Itamaraty ainda não se manifestou sobre o anúncio do governo dos EUA.

O silêncio do Itamaraty é, em si, revelado. O governo brasileiro se vê numa posição delicada: qualquer fato mais duradouro pode ser interpretado como defesa das facções criminosas — exatamente a narrativa que Flávio está construindo. Qualquer aquiescência, por outro lado, significaria uma proteção na posição de soberania que o governo defendeu ao longo dos últimos meses e abriria precedentes para novas pressões americanas sobre assuntos internos brasileiros.

O peso político do momento

O episódio representa o ápice de uma semana extraordinária para Flávio Bolsonaro na política externa. Em menos de sete dias, o pré-candidato: revelou publicamente que usa colete à prova de balas em eventos; embarcou para Washington; foi recebido por Trump no Salão Oval por quase duas horas; reuniu-se com o vice-presidente JD Vance; foi recebido por Marco Rubio; reuniu-se com auxiliares do Departamento de Estado; e viu o governo americano anunciar formalmente uma medida que havia pedido pessoalmente.

Na conferência conservadora do CPAC realizada no Texas meses antes, Flávio já havia pedido abertamente que os Estados Unidos exercessem pressão sobre as instituições brasileiras às vésperas das eleições de outubro de 2026. A classificação do PCC e do CV como terroristas é o resultado mais concreto dessa estratégia até agora — e chega num momento em que a campanha presidencial brasileira está começando a esquentar de forma decisiva

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