Ciclone extratropical coloca quatro estados em alerta: Marinha prevê ondas de até 3 metros e massa de ar polar derruba temperaturas no Sul

Ciclone no oceano abre caminho para uma massa de ar polar que pode levar o  termômetro a zero grau nas serras de SC e do RS, com geada prevista para o  fim

A Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil emitiu dois avisos sobre a atuação de uma frente fria, com previsão de ressaca em trechos do litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, entre Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ), e também entre Mostardas (RS) e Florianópolis (SC), até esta sexta-feira (22). Ondas de até 3 metros de altura poderão ser registradas nessas regiões, que estão sob alerta de mau tempo.

O que é um ciclone extratropical?

Um ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma nas regiões de latitude média do planeta — fora das zonas tropicais, daí o nome. Diferente dos furacões e tufões tropicais, que se alimentam do calor e da umidade do oceano em áreas quentes, os ciclones extratropicais surgem do encontro entre massas de ar de temperaturas muito diferentes: uma fria, vinda das regiões polares, e outra mais quente e úmida, tipicamente do oceano. Esse contraste gera uma área de instabilidade intensa, com ventos fortes, chuvas persistentes e agitação marítima elevada. No Brasil, esses sistemas são mais comuns no outono e no inverno, afetando principalmente a Região Sul e partes do Sudeste. Eles são responsáveis por ressacas, alagamentos costeiros, temporais e quedas bruscas de temperatura.

Os impactos no litoral

De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, o risco é moderado a alto para ocorrências associadas à agitação marítima no litoral catarinense, onde as ondas podem atingir picos de até 3,5 metros na costa e 4,0 metros em alto mar. O órgão também emitiu um alerta para alagamentos costeiros em Florianópolis.

Os quatro estados afetados pelos avisos da Marinha são São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com os trechos costeiros entre Ilhabela e Campos dos Goytacazes — no eixo paulista-fluminense — e entre Mostardas e Florianópolis — no eixo gaúcho-catarinense — concentrando os maiores riscos de ressaca até o fim desta sexta-feira.

Massa de ar polar chega junto

Além do ciclone extratropical, uma nova massa de ar polar começou a avançar sobre o Brasil nesta quinta-feira (21) e deve derrubar as temperaturas em ao menos seis estados nos próximos dias. O fenômeno mantém o tempo frio na Região Sul e amplia o risco de geadas em algumas áreas do país. O frio mais intenso deve atingir principalmente os estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Há possibilidade de temperaturas negativas em áreas do Rio Grande do Sul, especialmente na Serra Gaúcha, na Campanha e na metade oeste do estado.

A passagem da frente fria pelo oceano também aumenta as instabilidades entre São Paulo e Rio de Janeiro, com previsão de temporais.

A combinação entre o ciclone extratropical e a entrada da massa polar representa um cenário meteorológico de atenção dupla: de um lado, o litoral enfrenta ondas altas e risco de alagamento nas zonas costeiras; do outro, o interior de vários estados deve registrar frio intenso com potencial para geadas, afetando principalmente a agricultura e populações em situação de vulnerabilidade.

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