
Pedro Lupion fez declaração durante discurso na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, ao lado de Flávio Bolsonaro; presidente da FPA citou juros altos, endividamento e insegurança no crédito como principais problemas e disse ver no senador um “presságio de futuro auspicioso” para o agro
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que o agronegócio tinha maior previsibilidade institucional no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e criticou a condução atual da política voltada ao setor. O deputado fez a declaração durante discurso na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP).

A saudade da previsibilidade
Lupion afirmou que o produtor rural enfrentava menos incertezas em gestões anteriores e resgatou sua participação em edições passadas da feira ao lado do ex-presidente. “Lembro de estar aqui nessa Agrishow com o presidente Jair Bolsonaro para discutir o agro”, afirmou o deputado. “O agro que naquele momento era respeitado, que o produtor tinha previsibilidade.”
Ele afirmou que havia maior abertura do governo às demandas do campo e destacou a importância de previsibilidade para o planejamento da produção agrícola.
“Despreza o produtor rural”: a crítica ao governo Lula
Lupion afirmou que o atual governo federal “despreza o produtor rural”, não reconhece “o protagonismo do campo” e adota postura de distanciamento em relação aos produtores rurais.
Ao tratar do cenário econômico, o presidente da FPA citou juros elevados, endividamento, dificuldade no financiamento de safras e insegurança no crédito como principais entraves enfrentados pelos produtores. Segundo ele, essas condições impactam diretamente a atividade agrícola e reduzem a capacidade de planejamento do setor.
O apoio a Flávio e o “presságio de futuro auspicioso”
Durante o discurso, o parlamentar comemorou a presença do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na feira e afirmou ver sinais de fortalecimento político. Lupion disse enxergar “um presságio de futuro auspicioso no país” e declarou apoio ao senador, além de reforçar alinhamento político com a bancada do agronegócio.
A insatisfação do agro com o governo Lula
A política ambiental do governo, vista como restritiva, e a insegurança jurídica gerada por decisões do governo federal e do STF em relação ao direito de propriedade são interpretadas como ações contrárias aos interesses dos produtores. Especialistas apontam que nas linhas de custeio, a sobra de recursos não sacados chega a 61%. O número de contratos também registrou queda expressiva, recuando 26% no mesmo período. O alto custo do crédito, mesmo com pequenas reduções na taxa Selic, torna o financiamento pouco atrativo. Instituições financeiras estão restringindo a concessão de crédito devido ao aumento da inadimplência no campo, que atingiu 8,3% em março de 2026.