Agronegócio de Santa Catarina bate recorde histórico com VPA de R$ 74,9 bilhões em 2025

Agro de Santa Catarina bate recorde e VPA atinge R$ 74,9 bilhões em 2025 -  Observatório Agro Catarinense

Crescimento de 15,1% foi impulsionado por milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos; exportações chegaram a US$ 7,9 bilhões, representando mais de 65% de tudo que SC vendeu ao exterior; tarifaço americano freou desempenho ainda maior no segundo semestre


O agronegócio de Santa Catarina registrou crescimento em 2025, impulsionado por maior produção e preços, segundo o boletim técnico “Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de Santa Catarina”, elaborado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola, unidade da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O Valor da Produção Agropecuária (VPA) alcançou R$ 74,9 bilhões no período, crescimento de 15,1% em relação ao ano anterior.


O que explica o salto de 15,1%

O resultado reflete a combinação de aumento de preços, com alta de 6,3%, e de maior volume produzido, que avançou 9,5%. Segundo o analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri/Cepa, Luiz Toresan, a alta do desempenho foi impulsionada principalmente por milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos. “A produção ocorreu de forma satisfatória, favorecida pelo clima, e os preços, de modo geral, também foram positivos”, avalia.


Exportações batem US$ 7,9 bilhões — mas poderiam ter sido mais

No comércio exterior, o setor manteve participação relevante. As exportações do agronegócio catarinense somaram US$ 7,9 bilhões em 2025, alta de 5,8% frente a 2024, representando mais de 65% das vendas externas do estado. O boletim aponta que o desempenho poderia ter sido maior, não fosse o impacto do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil a partir de agosto.


A volatilidade de preços: o novo principal risco do produtor rural

Apesar dos resultados positivos gerais, o documento indica que a renda do produtor rural foi influenciada pela volatilidade de preços no período pós-pandemia, entre 2021 e 2025. Segundo dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola, a oscilação de preços passou a ter maior impacto sobre a rentabilidade do que as variações climáticas, com destaque para culturas como arroz, cebola e alho.


Quem está mais protegido — e quem está mais exposto

O boletim também destaca o conceito de ponto de nivelamento, indicador que define o limite mínimo de preço e produtividade para a viabilidade econômica. Nesse contexto, culturas como soja e alho apresentam maior margem de segurança, enquanto arroz e cebola operam com menor folga, aumentando a exposição a perdas em cenários adversos.


O peso do agronegócio na economia catarinense

O resultado consolida Santa Catarina como uma das principais potências agrícolas do Brasil. O estado se destaca por sua produção diversificada — com cadeias de proteína animal (suínos e aves) entre as mais competitivas do mundo —, pela forte inserção no mercado externo e por indicadores de sanidade animal e qualidade que abrem mercados em todo o globo. Com mais de 65% das exportações estaduais originadas do agro, o setor sustenta boa parte do dinamismo econômico de SC e serve de referência para outras regiões do país.


O recorde de R$ 74,9 bilhões em 2025 chega em boa hora para o debate político e econômico de Santa Catarina. Em ano eleitoral, os números do agronegócio catarinense reforçam a narrativa de um estado que “dá certo” — e que usa de modelos de gestão, sanidade, tecnologia e cooperativismo como diferenciais competitivos num mercado global cada vez mais exigente e volátil.

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