Desenrola 2.0 para empresas: Procred dobra carência e Pronampe tem teto de crédito ampliado para R$ 500 mil

O que é o programa desenrola 2.0?

Programa beneficia negócios que faturam até R$ 4,8 milhões por ano com carência de até 24 meses, prazo total de 8 anos e margem de inadimplência que salta de 14 para 90 dias; empresas lideradas por mulheres ganham limite de crédito ainda mais generoso


O novo programa do governo, Desenrola 2.0, lançado na segunda-feira, 4 de maio, visa a renegociação de dívidas para pessoas com baixa renda, mas também vai englobar as micro e pequenas empresas, aumentando os limites de negociação, com prazos mais longos e períodos de carência ampliados.

O cenário para o micro e pequeno empreendedor brasileiro ganha um novo fôlego com a reformulação das condições de crédito das linhas Procred e Pronampe. As medidas visam desonerar o caixa das empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, permitindo uma organização financeira mais sustentável diante dos desafios do mercado.


As novas regras do Procred para microempresas

Para as microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, o Procred passa por uma transformação profunda. A carência máxima saltou de 12 para 24 meses, dobrando o tempo que o empreendedor tem antes de começar a pagar o principal. O prazo total da operação também foi estendido, saindo de 72 para 96 meses.

Além disso, o limite de crédito subiu de 30% para 50% do faturamento — agora com teto de R$ 180 mil. Um destaque importante é o incentivo ao empreendedorismo feminino: empresas lideradas por mulheres agora podem tomar até 60% do seu faturamento em crédito.


O que muda no Pronampe para pequenas empresas

As empresas de maior porte dentro do segmento (até R$ 4,8 milhões de faturamento) viram o teto do Pronampe dobrar, subindo de R$ 250 mil para R$ 500 mil. Assim como no Procred, a carência foi estendida para dois anos e o prazo total para oito anos.


A regra que evita o “trava-caixa”: inadimplência de até 90 dias

Outro ponto vital para a manutenção da operação é a nova regra de tolerância: a margem de atraso permitida para a concessão de novos créditos subiu drasticamente de 14 para 90 dias, evitando que dificuldades temporárias de fluxo de caixa travem o acesso a novos recursos.

Esta é, talvez, uma das mudanças mais impactantes para o dia a dia do pequeno empreendedor. Antes, um atraso de apenas duas semanas já bloqueava o acesso a novas linhas de crédito. Com a nova regra, o empreendedor tem três meses para regularizar a situação sem perder o acesso ao financiamento.


O contexto: 82,8 milhões de endividados

O programa vem ao encontro dos números publicados em março, em que o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, índice que representa o maior em toda a história da agência de crédito Serasa.


O FGTS e os valores esquecidos também entram no jogo

A nova fase do programa também autoriza empreendedores endividados a utilizar o FGTS ou recursos classificados como valores esquecidos para custear as negociações, com reserva de uma parcela para eventuais pedidos de resgate.

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