Na delação, Vorcaro diz que contratou escritório da esposa de Moraes para ter “proximidade” com o ministro — mas nega troca de favores

Pela primeira vez, esposa de Alexandre de Moraes abre o jogo sobre  mensagens recebidas de Vorcaro

Banco Master pagou R$ 129 milhões à advogada Viviane Barci em contrato que vigorou de fevereiro de 2024 até a prisão de Vorcaro; banqueiro afirma que o valor não foi o maior pago pelo banco e que não houve benefício do magistrado em troca; escritório confirma o vínculo e lista 36 pareceres e 267 horas de reuniões


O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em sua proposta de delação premiada, que fechou um contrato com o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, em busca de proximidade com o magistrado.


A versão de Vorcaro: busca por acesso, sem contrapartida

Segundo duas fontes graduadas que acompanham as tratativas da delação, Vorcaro sustenta que não teria havido troca de favores entre o banqueiro e Moraes em razão do contrato.

O dono do Banco Master afirmou ainda que o contrato com o escritório de Viviane, no valor de R$ 129 milhões, não teria sido o maior fechado pelo banco. Ou seja, que houve contratos com valores maiores.


Os detalhes do contrato milionário

O contrato entre o Master e o escritório da esposa de Moraes previa prestação de serviços jurídicos. Também estabelecia que os R$ 129 milhões seriam pagos em três anos, em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. O contrato vigorou de fevereiro de 2024 até novembro de 2025, quando o instrumento foi rompido após a liquidação do Master pelo Banco Central e a consequente prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero.


O que diz o escritório de Viviane Barci

Em nota, o escritório de Viviane confirmou o contrato com o Master e ressaltou ter realizado 94 reuniões de trabalho com integrantes do banco, totalizando 267 horas. A advogada também informou ter produzido 36 pareceres e opiniões legais. “Foram produzidos 36 pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros”, disse o escritório em nota.


Os próximos passos da delação

A proposta de delação premiada de Vorcaro foi entregue pela defesa do banqueiro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República na terça-feira, 6 de maio. Agora, autoridades dos dois órgãos analisarão o material. Nessa fase, investigadores da PF e da PGR vão averiguar se o material apresentado por Vorcaro tem elementos para provar o que ele falou. Se necessário, as autoridades poderão pedir mais informações ao dono do Master.

Somente após esse acerto é que a delação será encaminhada para homologação ou não do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF. Se ela for homologada, a defesa espera que Vorcaro vá para prisão domiciliar.


A revelação de que Vorcaro contratou o escritório da esposa de Moraes explicitamente para ter “proximidade” com o ministro do STF — mesmo que o banqueiro negue qualquer contrapartida — é um dos elementos mais sensíveis da proposta de delação entregue à PF e à PGR. O contrato de R$ 129 milhões, pago em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de quase dois anos, já havia gerado uma das maiores crises institucionais recentes do Supremo. Com a versão de Vorcaro agora registrada formalmente em um documento de colaboração premiada, o caso Master — e o papel do ministro Moraes nele — ganha um novo e explosivo capítulo.

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