Abegás alerta para alta de até 40% no preço do gás canalizado em agosto e critica exposição do Brasil às tensões geopolíticas

Preço do gás encanado no Rio deve subir até 40% para o consumidor em 2022 |  CNN Brasil

Depois do reajuste de 19,2% aplicado pela Petrobras em 1º de maio, associação das distribuidoras projeta novo aumento expressivo no próximo trimestre impulsionado pela guerra no Oriente Médio; setor pede indexadores nacionais e isonomia tributária com o diesel


A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) manifestou “profunda preocupação” com a alta nos preços do gás natural no mercado brasileiro. Depois do reajuste de 19,2% aplicado pela Petrobras em 1º de maio de 2026, a associação projeta um cenário ainda mais crítico para o próximo trimestre: um aumento de até 40% pode ocorrer até agosto, de acordo com o calendário de reajustes da petroleira.


A guerra no Oriente Médio como motor dos reajustes

O movimento é impulsionado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado global de energia. A Abegás questiona a fragilidade do mercado interno, já que o Brasil tem produção nacional relevante.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indicam que, em fevereiro de 2026, o país disponibilizou mais de 65 milhões de m³/dia ao mercado. A associação argumenta que o preço da molécula deveria ter indexadores que refletissem a realidade nacional, e não apenas as mudanças geopolíticas internacionais, já que esse volume é integralmente consumido no país, sem exportação.


O apelo das distribuidoras: descolamento do mercado externo

Em nota, o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, foi enfático: “O Brasil não deveria estar exposto a esses impactos, até porque a produção nacional atende à demanda do mercado convencional. Não é razoável que o país tenha toda essa exposição aos efeitos das tensões geopolíticas. É preciso que o preço da molécula de gás tenha indexadores que reflitam essa realidade.”


A assimetria tributária com o diesel

A Abegás também critica o fato de energias com maior pegada de carbono, como o diesel, terem recebido pacotes de isenção, enquanto o gás natural — que é mais limpo e impulsiona a competitividade industrial — não conta com o mesmo incentivo. A associação defende isonomia tributária entre os combustíveis, argumentando que o gás natural merece tratamento equivalente ao recebido pelos combustíveis fósseis mais poluentes.


Quem paga a conta — e como funciona o repasse

Para o consumidor final, o impacto depende das agências reguladoras estaduais, que definem as tarifas para cada segmento — industrial, comercial e residencial. As distribuidoras operam sob o sistema de pass-through, ou seja, repassam a variação do custo da molécula sem ganho sobre esse ajuste. No caso do GNV (gás natural veicular), os postos têm autonomia para definir suas próprias margens e custos operacionais.

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